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Sou jornalista e meu gosto por aventuras já me levou a lugares extremos! Com vontade e estratégia superei desafios artificiais e selvagens que se interpunham às histórias que buscava, acumulando experiência e técnicas. No Rotas do Explorador mostro expedições e dicas outdoor.

Transforme sua ferramenta ordinária em item de sobrevivência

Cajado adaptado para sobrevivência traz itens de emergência sempre comigo (Foto: Leonardo Francia)

Um exercício que tenho como prática nas preparações para as expedições que faço é o de organizar equipamentos de segurança sempre acoplados em ferramentas que estão sempre comigo. Para mim, se um equipamento só tem uma função é porque está sendo desperdiçado. Foi a partir desse método que, aos poucos, concebi o objeto que atualmente está sempre comigo: meu cajado “tático” ou de “sobrevivência” – antes de qualquer crítica, como fui eu quem o criou batizo até de Genoveva se quiser, rs.

Não passa de um extensor de pintura que adaptei para ser um cajado ou bastão e que aos poucos foi ganhando petrechos e funcionalidades para facilitar deslocamentos, permitir filmagem e em ângulos diferentes fotografia, além de trazer acessórios de sobrevivência.

(Assista ao vídeo que mostra como preparei o cajado pela primeira vez no meu canal do YouTube, o Missão Carcará)

Essa concepção veio de uma das filosofias sobrevivencialistas que se aplica fortemente à segurança dos exploradores: a redundância (ou backup). Se aplica muito bem para quem pratica atividades outdoor e se expõe de certa forma a situações de risco e pode ficar perdido numa trilha, se ferir e precisar de uma estada prolongada num ambiente inóspito, às vezes necessitando até de um resgate.

Imagine que você sempre leva os equipamentos na mochila e por algum motivo se separa dela. Pode ser que a mochila tenha caído num precipício, ou você a deixou no acampamento para coletar água ali perto e se perdeu. Há vários cenários possíveis e mais comuns do que se imagina. Por isso é que você precisa ter consigo os equipamentos de emergência. Uma dica é espalhar esses artigos essenciais em equipamentos que estão sempre com você.

Por isso exemplifiquei aqui essa filosofia com o meu cajado tático. Essa ferramenta sempre vai estar comigo, em todas as situações. Seja para escalar uma montanha,  para uma caminhada em trilha na mata ou para entrar dentro de uma gruta. Sempre levo meu cajado, até porque já acostumei e desenvolvi técnicas que permitem um deslocamento muito menos custoso. Numa trilha normal, me permite um terceiro ponto de apoio, além dos dois que as pernas propiciam. É coisa de se acostumar também, hoje me desloco com muita desenvoltura em qualquer terreno usando o cajado, porque fui me adaptando a esse equipamento.

Com a prática o uso do cajado se tornou prático mesmo nos terrenos mais acidentados (Foto: Leonardo Francia)

Mesmo nas subidas e descidas mais acidentadas, o esforço um pouco maior feito pelos braços e a musculatura do abdome, que passam a ser mais acionados, o alívio que o cajado traz para a coluna se traduz numa autonomia maior de deslocamento, ao menos para mim.

Se tornou essencial também porque instalei um adaptador para minhas action cams e GoPro, o que permite que funcione como uma espécie de grande “pau de selfie” que me permite 1,60 metro de extensão para tomadas interessantes e efeitos diferenciados, como a possibilidade de tomadas do alto, tomadas similares a uma grua e até me aproximar de animais em locais de acesso difícil como o alto de uma árvore.

Para as funcionalidade de sobrevivência adaptei, por exemplo, uma marcação de medidas que me permite medir um metro em campo usando o cajado. Na parte superior dele também fiz adaptações para transportar artigos de sobrevivência. No espaço de um palmo na parte superior enrolei fitas duct tape tornando o espaço entre esses rolos passível de receber arames, linhas de pesca, anzóis, iscas de fogo, pastilhas de purificação de água e fósforos. Em seguida, enrolei 4 metros de paracord de sete filamentos com um arremate de alça que permite minha mão ficar presa ao cajado ou até mesmo “pescar” objetos em buracos ou escalar um ponto mais difícil. Tudo isso me permite improvisar abrigo, fogo, purificação de água, sinalização de emergência e primeiros socorros para feridos.

Cajado pode até ser usado para ancorar em pedras e auxiliar numa escalada (Foto: leonardo Francia)

Como o cajado é de tinta laranja muito lisa, a umidade pode trazer escorregamentos. Assim, utilizai fitas camufladas acolchoadas, intercaladas a fitas fluorecentes para melhorar essa aderência na pegada, o conforto para utilização prolongada sem luvas e a visualização do equipamento no escuro, dentro de uma barraca, por exemplo. Essa é uma grande preocupação, pois perder esses equipamentos que podem ser encostados por aí é mais fácil do que se pensa. Você encosta o cajado numa árvore e de repente todas as árvores são iguais e pronto: lá se vai o cajado. Resumindo, a dica é sempre ter um backup de artigos de sobrevivência junto aos equipamentos que você carrega consigo.

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