Chega de machismo

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A iniciativa do Cruzeiro de usar a numeração das camisas no jogo com Murici-AL para denunciar a situação difícil a que são submetidas as mulheres merecem comemoração como a de conquista de um título. Seja pelo ineditismo da ação, pela coragem de explicitar dados tão alarmantes e/ou pelo brilhantismo da ideia, estão todos de parabéns no clube.

Se levarmos em consideração que o futebol é um dos meios mais machistas que existe, é realmente algo sem precedentes. Muitos vão dizer que não, mas a verdade é que mulher, na maioria das vezes, ainda é tratada como cidadão de segunda classe no esporte bretão. Das jogadoras profissionais às torcedoras, todas são vistas, no mínimo, com desdém pelos “macho alfas”.

Basta olhar à volta ou pensar um pouquinho para comprovar o que estou falando. Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que “futebol é para homem”? Ou que mulher em estádio está querendo “paquerar” (para usar um termo família), principalmente se estiver de calça justa ou saia mais curta? Machismo puro. Futebol é para mulher, sim, se ela quiser que seja. Assim como ir ao estádio ou a um bar ver o time do coração em ação, inclusive desacompanhada.

Outra prova do machismo nosso de cada dia: quantas mulheres ocupam cargos importantes em clubes, federações ou confederações? O número é infinitamente menor que em instituições em geral, nas quais quem é do sexo feminino já é minoria, além de ganhar menos.

Entre os próprios profissionais do esporte existe preconceito. Quantos jogadores aceitariam receber ordens de uma mulher no vestiário? Tanto é assim, que a Seleção Brasileira feminina só passou a ter uma mulher no comando técnico no fim do ano passado, quando a ex-jogadora Emily Lima assumiu, em substituição a Vadão.

Por tudo isso, só me resta parabenizar não só o Cruzeiro, mas também as mulheres que não se deixam intimidar pelo machismo nosso de cada dia. Das mais conhecidas, como a citada Emily e a presidente do Tupi, Myrian Carneiro Fortuna Freguglia, às anônimas, uma salva de palmas e o nosso muito obrigado. Vocês são guerreiras que não precisam de homenagens em 8 de março. Precisam de apoio e respeito todos os dias do ano.

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