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Denyse Lage Fonseca é formada em Letras e especialista em educação a distância. É autora de artigos enciclopédicos (InfoEscola.com) e de materiais didáticos (Portal Acessaber) que tratam de diversificados conteúdos relativos à Língua Portuguesa, da qual gosta desde criança. Como professora, atuou em diferentes níveis de ensino.

“Pedir para” ou “Pedir que”?

“Pedir para” ou “Pedir que”? Bom, para entendermos como funciona o emprego do verbo “pedir”, proponho a leitura deste reflexivo texto, escrito por Ignácio de Loyola Brandão:

 

Estranha é a cabeça das pessoas.

Uma vez, em São Paulo, morei numa rua que era dominada por uma árvore incrível. Na época da floração, ela enchia a calçada de cores. Para usar um lugar-comum, ficava sobre o passeio um verdadeiro tapete de flores, esquecíamos o cinza que nos envolvia e vinha do asfalto, do concreto, do cimento, os elementos característicos desta cidade. Percebi certo dia que a árvore começava a morrer. Secava lentamente, até que amanheceu inerte, sem uma folha. É um ciclo, ela renascerá, comentávamos no bar ou na padaria. Não voltou. Pedi ao Instituto Botânico que analisasse a árvore, e o técnico concluiu: fora envenenada. Surpresos, nós, os moradores da rua, que tínhamos na árvore um verdadeiro símbolo, começamos a nos lembrar de uma vizinha de meia-idade que todas as manhãs estava ao pé da árvore com um regador. Cheios de suspeitas, fomos até ela, indagamos, e ela respondeu com calma, os olhos brilhando, agressivos e irritados:

– Matei mesmo essa maldita árvore.

– Por quê?

– Porque na época da flor ela sujava minha calçada, eu vivia varrendo essas flores desgraçadas.

Um choque, espanto.

Ignácio de Loyola Brandão. “Manifesto verde”. São Paulo: Global.

 

“Estranha é a cabeça das pessoas…” Difícil não ficarmos em estado de choque após a leitura do texto acima, não é verdade? Mas, vamos voltar à questão proposta inicialmente? Observe o verbo “pedir” nesta passagem:

 

Pedi ao Instituto Botânico que analisasse a árvore […]

 

Normalmente, muitos diriam essa frase deste modo: “Pedi ao Instituto Botânico para analisar a árvore […]”. Em outras palavras, é muito comum o uso do verbo “pedir” com a preposição “para”. Mas, e aí? O que diz a gramática? “Pedi que analisasse” ou “Pedi para analisar”? Segundo a norma culta, “pede-se alguma coisa”, não “pede-se para alguma coisa”. Ou seja: a preposição “para” não se encaixa no contexto comunicativo acima. Portanto: Pedi ao Instituto Botânico que analisasse a árvore […]

 

Veja outros exemplos:

Pediu ao filho que estudasse mais!

Pedimos a todos que permaneçam em silêncio!

A professora pediu aos alunos que revisassem o texto.

 

Atenção:

O verbo “pedir” vem acompanhado da preposição “para” no sentido de “pedir permissão para”. Veja:

O funcionário pediu para sair mais cedo.

Note que a palavra “permissão” ou “autorização” aparece subentendida na frase:

O funcionário pediu (permissão) para sair mais cedo.

 

Peço a vocês que não deixem de conferir também:

“Aonde” ou “Onde”?

“Olhos verdes-claros”, “Olhos verde-claro” ou “Olhos verde-claros”?

“Quando eu ver” ou “Quando eu vir”?

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28 comentários em ““Pedir para” ou “Pedir que”?

    1. Oi, Fabiano!

      Já aplicando a regra abordada, hein? Parabéns!

      Adorei o emprego do verbo “pedir” na construção de sua frase!

      Muito obrigada pelas suas motivadoras palavras!

      Muito bom é ter a sua constante presença em meu blog!

      Volte sempre!

      Abraço,

      Denyse

  1. Confesso que estou triste até agora com o envenenamento da bela árvore, mas não é o tema principal do blog, motivo pelo qual não irei tecer outros comentários.
    Sobre a regra gramatical do verbo pedir, achei sensacional a forma colocada pela Professora, bem como o emprego das proposições, o que me deu a oportunidade de aprender algo que nunca parei para analisar. Mais um brilhante artigo.
    Obrigado pelos ensinamentos!

    1. Olá, Júlio!

      É de ficar triste, mesmo… 🙁

      Alegra-me demais o fato de o meu artigo conduzir a análises linguísticas!

      Agradeço a cuidadosa avaliação que você faz do meu texto!

      Sensacional é a sua presença constante em meu blog, algo muito importante para mim!

      Volte sempre!

      Denyse

  2. Prezada Denyse,
    Ótima explicação.
    Diferença sutil e que , no dia a dia, é comum pronunciarmos e/ou escrevermos errado.
    Agora, ficou claro para mim.
    Obrigado!
    Ricardo

    1. Oi, Ricardo!

      É comum, mesmo, o emprego de “para” com o verbo “pedir” no dia a dia…

      Fico muito feliz por saber que ficou claro o uso formal do referido verbo!

      Agradeço a sua constante participação!

      Volte sempre!

      Denyse

  3. Denyse, é a primeira vez que lhe escrevo, apesar de já ter lido seus artigos outras vezes. Parabéns! Você nos revela as particularidades do “português” com leveza e exemplos práticos.
    Obrigado!

    1. Olá, Gian!

      Sinto-me lisonjeada com as suas cuidadosas e valiosas palavras sobre o meu trabalho!

      Agradeço demais por me escrever, algo que me alegra muito!

      Aguardarei a sua presença constante aqui!

      Denyse

    1. Oi, Valdemiro!

      Para mim, é muito gratificante saber que você está sempre aprendendo com o meu blog!

      Muito obrigada por partilhar a sua opinião!

      Show é a sua contínua presença aqui!

      Volte sempre!

      Denyse

    1. Olá, Aline!

      Fico muito contente com o fato de ter esclarecido a sua dúvida!

      Agradeço o registro de seu comentário tão positivo!

      Volte sempre ao meu blog!

      Denyse

    1. Oi, Paulo!

      Realmente… Pode, mesmo, “pegar” muita gente…

      Muito obrigada por interagir comigo, partilhando as suas primorosas observações!

      Adorei o seu retorno ao meu blog!

      Volte sempre!

      Denyse

    1. Olá, Fernando!

      É muito recorrente, mesmo, o emprego de “pedir para”…

      Muito obrigada por partilhar a sua experiência linguística conosco!

      Agradeço-lhe, também, por se fazer continuamente presente em meu blog!

    1. Oi, Francisco!

      Amém!

      Agradeço o registro de suas belas palavras!

      Fico muito feliz com a sua mensagem!

      Que maravilha a sua constante presença em meu blog!

      Volte sempre!

      Denyse

    1. Olá, Maiara!

      Fico muito contente com o registro de sua valiosa opinião!

      Excelente é ter a sua presença aqui!

      Muito obrigada por interagir comigo e pelo interesse em continuar acompanhando as minhas dicas!

      Beijos,

      Denyse

    1. Oi, Lilia!

      Pois é… Preposição “para” e verbo “parar” juntos? Repetitivo, hein? Daí, a importância de não se empregar a referida preposição com o verbo “pedir”… “Já pedi que pare de fazer tal coisa…” soa muito melhor!

      Muito obrigada por interagir conosco, expondo um exemplo bem interessante sobre o tema abordado!

      Fica o meu convite para que você volte sempre!

      Denyse

  4. Oi, professora!
    Agora sei aonde recorrer para dirimir as minhas dúvidas, que são inúmeras. Minhas aulas de Pilates, além dos exercícios, tornaram-se um verdadeiro ringue de embates gramaticais. Agora, estarei bem assessorado!
    Sucesso, te desejo, viu?

    1. Oi, Al Wanderley!

      Alegra-me o fato de você recorrer ao meu blog para dirimir as suas dúvidas e para assessorá-lo no “ringue de embates gramaticais” que vivencia!

      Agradeço-lhe por interagir comigo, algo extremamente relevante para mim!

      Muito obrigada! Desejo a você sucesso também, viu?

      Volte sempre!

      Denyse

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