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Denyse Lage Fonseca é formada em Letras e especialista em educação a distância. É autora de artigos enciclopédicos (InfoEscola.com) e de materiais didáticos (Portal Acessaber) que tratam de diversificados conteúdos relativos à Língua Portuguesa, da qual gosta desde criança. Como professora, atuou em diferentes níveis de ensino.

“Fui eu que fiz” ou “Fui eu quem fez”?

Fui eu que fiz este bolo colorido!

ou

Fui eu quem fez este bolo colorido!

bolo colorido

pixabay.com

Antes de tudo, precisamos destacar que a forma “Foi eu”, comum em situações de fala, não está de acordo com a norma culta. Isso porque o verbo precisa concordar com o pronome a que se refere: “Eu fui”. Afinal, ninguém diz “Eu foi”! Bom, vamos voltar à questão proposta? Eu que fiz. ou Eu quem fez.? Na verdade, as duas construções estão corretas! Por quê? Observe a primeira frase:

Fui eu que fiz este bolo colorido!

Note que, nesse caso, o verbo concorda com o antecedente do pronome relativo “que”. Em outras palavras, o verbo “fiz” concordou com o pronome (na função de sujeito) “Eu”. Se fosse empregado o plural:

Fomos nós que fizemos este bolo colorido!

Agora, analise a segunda frase:

Fui eu quem fez este bolo colorido!

Aqui, o verbo “fez”, na 3ª pessoa do singular, concorda com o pronome “quem”. Aí, você me pergunta: o verbo poderia concordar com o antecedente de “quem”? Fui eu quem fiz este bolo colorido! Poderia, sim. Porém, recomenda-se que a concordância seja feita, preferencialmente, com o “quem”, ou seja, que o verbo fique no singular.

Outro questionamento que provavelmente você deve ter feito: e se tivéssemos um pronome no plural? Como ficaria o verbo? No singular ou no plural? Veja:

Fomos nós quem fez este bolo colorido!

                           ou

Fomos nós quem fizemos este bolo colorido!

As duas formas estão corretas! Sério? Sim! Soou estranha a primeira frase? Mas, ao fazermos a inversão, temos: “Quem fez este bolo colorido fomos nós!”. Por isso, tanto o emprego do singular (concordância com o pronome “quem”), quanto o emprego do plural (concordância com o pronome “nós”) estão adequados nas frases acima.

Para rememorar:

  • o verbo concorda com o antecedente do pronome “que”.
  • o verbo concorda com o pronome “quem” (preferível) ou concorda com o antecedente de “quem”.

Aprenda mais:

“Eu valo” ou “Eu valho”?

“Menos” ou “Menas”?

Um desafio para você: Pontuação 

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28 comentários em ““Fui eu que fiz” ou “Fui eu quem fez”?

    1. Oi, Reinaldo!

      Fico imensamente feliz quando encontro pessoas que adoram a nossa língua!

      Alegra-me, também, o fato de você estar aprimorando os seus conhecimentos linguísticos, por meio do meu blog!

      Muito obrigada pelo envio de seu motivador comentário e pelo seu contínuo interesse em acompanhar as minhas dicas!

      Volte sempre!

      Denyse.

    1. Olá, Jader!

      As duas frases estão corretas. Na primeira, “Foi Deus que me deu”, o verbo “deu”, flexionado na 3ª pessoa do singular,concorda com o antecedente do pronome “que”, isto é, com o sujeito da frase “Deus”. Já na segunda oração, “Foi Deus quem me deu”, o verbo “deu” concorda, ao mesmo tempo, com o pronome “quem” e com o sujeito “Deus”.

      Só uma observação: à luz da norma culta, o pronome relativo “quem” tem de ser empregado apenas para se referir a pessoas. Desse modo, são incorretas construções como: “Foi aquele inseto quem me picou.” ou “Foi o clube quem determinou a punição aos jogadores.”. Vale destacar que, apesar de implícita a ideia de que foram pessoas, pertencentes ao clube, que tomaram a decisão de determinar a punição, o termo “clube”, em si, não designa uma pessoa. Corrigindo, temos: “Foi aquele inseto que me picou.” ou “Foi o clube que determinou a punição aos jogadores.”

      Muito obrigada por interagir comigo!

      Volte sempre!

      Denyse.

    1. Oi, Rubem!

      Sinto-me lisonjeada com a sua avaliação tão positiva!

      “Leitura obrigatória”. Adorei a sua designação para o meu blog! Muito obrigada pelo convite feito ao público!

      Volte sempre!

      Denyse.

    1. Olá, Eduardo!

      Fico extremamente feliz com o registro de sua cuidadosa opinião sobre o meu blog!

      Muito obrigada por interagir comigo!

      Fica o convite para que você volte sempre!

      Denyse.

    1. Oi, Carlos Henrique!

      Muito obrigada pelo envio de seu elogioso comentário sobre o meu post!

      Agradeço-lhe, também, a presença constante aqui no meu blog!

      Volte sempre!

      Denyse.

    1. Olá, Cristiano Rogério!

      Minhas indicações:

      “Nova gramática do português contemporâneo” – Celso Cunha e Lindley Cintra.
      “Novíssima Gramática da Língua Portuguesa” – Domingos Paschoal Cegalla.

      Bom estudos!

      Obrigada pela visita!

      Denyse.

    1. Não, Cristiano Rogério! O verbo tem de concordar com o numeral (que desempenha a função de sujeito no contexto que você citou) a que se refere. Por isso, precisa ser flexionado no plural.

      Volte sempre!

      Denyse.

  1. Professora , mais uma sobre um trecho de música. Na canção de Marília Mendonça , Medo Bobo, em certa parte ela canta ” Quando ouvi sua voz respirei aliviado..” Enfim , o adjetivo concorda com o substantivo e nesse contexto – mais uma vez licença poética à parte- o verbete aliviado qualificaria o sujeito ou modifica o sentido do verbo respirar exercendo função de advérbio ? Espero ter sido claro na minha exposição.

    1. Olá, Cristiano Rogério!

      Nesse caso, modifica o sentido do verbo “respirar”, indicando a circunstância de modo. Por isso, desempenha a função de advérbio.

      Denyse.

  2. Obrigado pela atenção na resposta… mas cheguei a pensar em concordância no contexto uma vez que os “10 por cento ” dependem do valor a ser pago no final da conta. Assim pensei que se trataria de silepse de número… mas obrigado pela resposta.

    1. Oi, Cristiano!

      Não se trata de silepse de número nesse caso, uma vez que “os 10 por cento” não consiste em um sujeito no singular que indica a ideia de coletividade. o artigo definido “os” sinaliza o plural.

      Grata por interagir comigo!

      Volte sempre!

      Denyse.

  3. Bom dia. Sempre leio as suas colunas e os comentários enriquecedores. Hoje, em um dos comentários, utilizou-se a expressão “seria importante que eu aprofundasse no estudo do nosso Português”. Com todo o respeito ao comentarista, não seria “que eu me aprofundasse no estudo” ou que eu aprofundasse o estudo”? Se puder me esclarecer…

    1. Oi, Sirne!

      Fico imensamente feliz com o seu interesse em acompanhar as minhas publicações e as interações aqui no meu blog!

      Sim, Sirne! No contexto citado por você, o verbo “aprofundar” exige o acompanhamento do pronome “me”: “[…] que eu me aprofundasse no estudo […]”. Isso, claro, em situações formais de uso da língua.

      Bom, mas o importante é que os leitores não deixem de expressar as suas opiniões aqui. Trata-se de algo enriquecedor e prazeroso para mim!

      Aguardarei a sua presença constante, viu?

      Denyse.

    1. Oi, Juscelina!

      Sim, está correto! Você pode dizer “Fui eu quem levou.” ou “Fui eu que levei.”.

      Muito obrigada por interagir comigo, algo muito importante para mim!

      Fica o meu convite para que você volte sempre!

      Denyse.

  4. Profª Denyse! Tive uma discussão há dias com um colega sobre o correto emprego do “fui eu que” ou “fui eu quem”. Eu apostava que o correto era a primeira forma, mas tinha dúvidas, e ele a segunda. Me lembrei do seu blog e recorri a ele. E não é que achei este post, de 1 ano atrás, exatamente sobre o motivo do entrevero?! Senti um alívio em saber que nós dois estávamos certos, graças a você! Obrigado, mais uma vez!!

    1. Oi, Fernando!

      Exatamente! Os dois estavam certos!

      Trata-se de uma dúvida muito comum! Fico feliz demais que tenha recorrido ao meu blog, a fim de saná-la!

      “Senti um alívio…” Risos…

      Muito obrigada por se fazer sempre presente aqui!

      Volte sempre!

      Denyse

  5. Oi, professora!
    Dei uma olhada, hoje, como já me habituei, no seu blog e, realmente, pra mim, a construção ” Fomos nós quem fizemos este bolo colorido” é estranhíssima, de verdade, rsrs

    1. Oi, Al Wanderley!

      Risos… Por isso, recomenda-se o singular com o pronome “quem”.

      Muito obrigada pela sua presença habitual em meu blog! Fico muito contente!

      Volte sempre!

      Denyse

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