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Denyse Lage Fonseca é formada em Letras e especialista em educação a distância. É autora de artigos enciclopédicos (InfoEscola.com) e de materiais didáticos (Portal Acessaber) que tratam de diversificados conteúdos relativos à Língua Portuguesa, da qual gosta desde criança. Como professora, atuou em diferentes níveis de ensino.

Os porquês

Por que, por quê, porque ou porquê? Vamos descomplicar essas formas gráficas? Então, sugiro a você a leitura deste trecho do romance O mulato, escrito por Aluísio Azevedo:

_ Mas o senhor deve compreender a minha insistência! Não se diz assim, sem mais nem menos, a um homem que vem, legítima e conscienciosamente, pedir a mão de uma senhora, que a isso o autorizou. “Não lha dou, porque não quero!” Por que não quer? “Porque não! Não posso dizer o motivo…” É boa! Tal recusa significa uma ofensa direta a quem fez o pedido! Foi uma afronta à minha dignidade. O senhor há de concordar que me deve uma resposta, seja qual for! Uma desculpa! Uma mentira, muito embora! Mas, com todos os diabos, é necessária uma razão qualquer!

AZEVEDO, Aluísio. O Mulato. São Paulo: Martin Claret, 2006, p.193.

Observe que a forma “porque” foi utilizada duas vezes. Primeiramente, em uma frase afirmativa, na qual “porque” tem o sentido equivalente ao da palavra “pois”: Não lha dou, porque não quero. Na sequência, essa forma é utilizada na resposta à pergunta feita: Porque não! Nesse contexto, utilizamos “porque” em:

1. afirmações (porque = pois).

2. respostas a perguntas.

A forma “por que” empregamos em:

1. perguntas diretas:

Por que não quer?

2. perguntas indiretas:

“Não sei por que você não quer.”

3. substituição à expressão “pelo qual” e suas variações:

“A razão por que não quero não importa.” (por que = pela qual)

Já a forma “por quê”, assim como “por que”, é utilizada em perguntas feitas de modo direto e indireto. Mas, então, como diferenciá-las? Bom, a forma “por quê” somente deve ser empregada ao final de interrogativas. Assim, sempre é acompanhada de um sinal de pontuação:

1. final de interrogativa direta:

“Você não quer por quê?”

2. final de interrogativa indireta:

 “Ele recusou o meu pedido e eu não sei por quê.”

E, por fim, temos a grafia “porquê”, cujo significado corresponde ao do substantivo “motivo”:

“Não entendi o porquê de ele não ter aceito o meu pedido.” (o porquê = o motivo).

Em resumo, temos:

porque: afirmações e respostas.

por que: perguntas diretas, indiretas e no lugar de “pelo qual”.

por quê: final de interrogativas diretas e indiretas.

porquê: no lugar do substantivo “motivo”.

Ao final deste post, espero que você possa ter compreendido um pouco melhor as diferentes finalidades dos “porquês”. E, não se esqueça: praticando, a gente chega lá!

Aprenda mais:

“Nem” ou “E nem”? 

“Dia a dia” ou “Dia-a-dia”?

“Ao invés de” ou “Em vez de”?

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16 comentários em “Os porquês

  1. Sem vírgula,a expressão tem um sentido diferente:”Você não quer,por quê?”Diz que a pessoa não quer usar a forma “por quê”.Como diria o cronista esportivo,”valeu América”(“Valeu,América!”)

    1. Oi, Alberto Fonseca!

      Não há a obrigatoriedade da vírgula antes da forma “por quê”. O sentido é o mesmo. Não há ambiguidade. O enunciado também pode ser construído da seguinte forma: “Você não quer? Por quê?”. O exemplo que você citou, “Valeu, América”, consiste em uma situação comunicativa diferente, pois “América” funciona como vocativo. Por isso, obrigatoriamente, precisa ser precedido da vírgula.

      Muito obrigada por interagir comigo!

      Volte sempre!

      Denyse.

    1. Oi, Giovani!

      Fico feliz que tenhas gostado da explicação sobre “o uso dos porquês”!

      Muito obrigada pela visita!

      Volte sempre!

      Denyse.

    1. Olá, Carlos Alberto!

      Sinto-me extremamente lisonjeada com a sua avaliação tão positiva!

      Alegra-me muito saber que estou descomplicando o nosso idioma!

      Muito obrigada por interagir novamente comigo!

      Volte sempre!

      Denyse.

  2. Denyse, bom dia. Vejo que nomeou como “Os porquês” à esta matéria. Noutro blog sobre o mesmo tema vi a seguinte afirmação: “O uso dos porquês é um assunto muito discutido e traz muitas dúvidas.” O que gostaria de perguntar é o porquê de nestes 2 casos ter sido usada a forma “porquês” e não a forma “porques”. Sei que em nenhum contexto gramatical a forma “porques”, mas é até por isto mesmo que penso que neste caso ela seja mais adequada para dar título a um texto sobre o uso das 4 formas do que o uso da forma “porquê” no plural, já que “Os porquês”, literalmente, deve ser compreendido como “os motivos”, e não é sobre motivos que trata a matéria, mas sobre o “porque”, o “porquê”, o “por que” e o “por quê”. Eu penso que “Os porques”, por não ter um sentido em si, definiria melhor o tema tratado. O que pensa a respeito?

    1. Oi, Antônio!

      Bom, o objetivo é nomear, de modo genérico, as diferentes grafias do “porquê”. Por isso, o emprego da única forma substantivada, em função da presença do artigo definido “os”. De qualquer maneira, “porque”, em geral, tem o sentido equivalente a “pois”.

      Muito obrigada interagir comigo, expondo o seu questionamento!

      Volte sempre!

      Denyse.

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