Programa do Pipoqueiro #31

por Marcelo Seabra

A 31ª edição do Programa do Pipoqueiro passeia pela fantástica trilha sonora de Quase Famosos, longa que chegou à maioridade este ano e traz Elton John, Black Sabbath, Yes, Led, Lynyrd Skynyrd, Beach Boys e vários outros grandes. Aperte o play abaixo e confira!

Publicado em Filmes, Homevideo, Indicações, Listas, Música, Programa do Pipoqueiro | Com a tag , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Efeito Fallout é a sexta Missão Impossível de Cruise

por Marcelo Seabra

Pela sexta vez, o agente Ethan Hunt arrisca sua vida pelo bem maior. Missão: Impossível – Efeito Fallout (Mission: Impossible: Fallout, 2018) traz a equipe da IMF tentando consertar um furo que deram em uma missão que pode ter consequências catastróficas. Tudo o que aprendemos a esperar da franquia está lá, mostrando que o diretor e roteirista Christopher McQuarrie, já em sua segunda aventura nesse universo, entendeu bem qual era o trabalho.

McQuarrie vem de uma série de colaborações com o astro Tom Cruise, incluindo aí o elogiado Nação Secreta (Rogue Nation, 2015), o episódio passado da série. Mais uma vez eles marcam um gol em termos de bilheterias: já temos aqui a maior abertura da franquia ou de um filme de Cruise no Brasil. Em termos de história e de resultado, de uma forma geral, pode-se garantir que os fãs ficarão bem satisfeitos. Se não chega a acrescentar nada muito original, diverte bastante, elevando as situações conhecidas a uma potência louca.

Os filmes da série geralmente escolhem um enfoque para seu protagonista: seria ele uma máquina de espionagem e execução ou um ser humano dotado de sentimentos e dúvidas? Em Fallout, temos um equilíbrio entre esses lados. Elementos do passado de Hunt vêm à tona, e nem por isso a ação diminui. Há excessos, claro, mas nada que já não esperássemos. Cenas bonitas, com paisagens vertiginosas, e Cruise correndo riscos calculados em lugares perigosos. Os efeitos práticos, sem computação gráfica, fazem a diferença.

Não repetindo um erro observado no terceiro filme da franquia, este reutiliza um vilão recente, tamanho foi o interesse que ele levantou. Sean Harris volta para o desenrolar da história de Solomon Lane, o líder de uma organização criminosa capaz de abalar as estruturas dos mocinhos. Simon Pegg, Ving Rhames e Alec Baldwin formam o time de Cruise, e Rebecca Ferguson novamente tem um papel ambíguo, mesmo que sua natureza já tenha sido explicada.

Entre as novidades, a maior (literalmente) é o Superman Henry Cavill, novamente vivendo um agente secreto (como em O Agente da UNCLE, 2015). Ele é incumbido de acompanhar Hunt para garantir que tudo corra como o esperado. É provavelmente sua melhor interpretação até hoje. Vanessa Kirby (de The Crown) chega acenando a outro personagem da franquia, de quem os mais atentos vão se lembrar. E Angela Bassett (de Pantera Negra, 2018) fica com a vaga de burocrata da vez, uma figura sombria que parece ter sua própria agenda.

Com quase duas horas e meia de duração, Efeito Fallout (um título nacional meio sem noção) mistura subtramas e parece ir numa direção quando, repentinamente, dá uma guinada. Dentre as seis aventuras, ficaria bem colocada em termos de qualidade. Como McQuarrie já sinalizou que pretende voltar a projetos menores, resta saber o que Cruise pretende para a franquia. Descobrir o que aconteceu com o personagem de Jeremy Renner, que some depois de dois filmes, também seria interessante. A certeza é de que ainda teremos mais histórias de Hunt no Cinema e que ouviremos o tema imortal de Lalo Schifrin várias vezes, em diversas versões.

O diretor posa com seus astros em Paris

Publicado em Estréias, Filmes, Indicações | Com a tag , , , , , , , , , | Deixe um comentário

A família Parr volta ainda mais Incrível!

por Marcelo Seabra

Quando uma sequência demora 14 anos para ser feita, pode-se pensar que só reacenderam o projeto em busca de uns trocados. Ou, talvez, esse tempo realmente tenha servido para maturar a ideia. Felizmente, Os Incríveis 2 (The Incredibles 2, 2018) se encaixa no segundo caso. É possível que uma sequência imediata tivesse estragado tudo, com uma premissa afobada e um mal aproveitamento daquele universo. O momento não poderia ter sido mais feliz.

Claro que, para uma animação, a passagem do tempo não precisa ser sentida da mesma forma. Afinal, não há atores envelhecendo. A história se passa pouco depois do original, com Jack Jack (ou Zezé, na dublagem brasileira) ainda bebê, descobrindo seus poderes, e os heróis banidos. A família Parr (ou Pera) segue agindo na clandestinidade, como alguns outros heróis que se revelaram ao mundo inspirados por eles. Um empresário bem-intencionado começa a trabalhar a imagem dos heróis para que a opinião pública passe a aceitá-los e eles voltem a circular livremente.

O mais interessante é que, ao contrário do marido, a Elastigirl não sai destruindo tudo pelo caminho. Exatamente por isso, ela é melhor aceita pela sociedade, e seus atos heroicos começam a limpar a barra dos supers. Claro que as coisas não serão tão suaves para Os Incríveis. E enquanto a esposa sai em missões, Bob fica em casa cuidando das crianças, o que se mostra tarefa mais ingrata. Claro que o roteiro força a barra um pouco, para efeitos cômicos, e funciona muito bem. A moral da história é bem clara: as mulheres dão conta de muito mais desafios que os homens.

Nesse momento de empoderamento feminino, de valorização do papel da mulher, nada mais apropriado que essa segunda aventura dos Incríveis. Com Brad Bird novamente à frente da direção e do roteiro, o filme dá continuidade ao anterior respeitando o que havia sido estabelecido, indo mais longe no desenvolvimento dos personagens. Por isso mesmo, Helen e Violet ganham maior destaque. Há também outra mulher importante para a trama, a irmã do tal empresário, a mente criativa responsável pelo sucesso da família. E ainda cabem assuntos como o poder da opinião pública, que levanta ou derruba qualquer um, e a importância da família.

Em pouco menos de duas horas, acompanhamos uma história divertida, bem montada e engraçada na medida certa. A trilha sonora de Michael Giacchino é um espetáculo à parte, expandindo os temas compostos para o primeiro. Todas as peças parecem se encaixar. Só é uma pena que, para variar, a maioria absoluta das cópias seja dublada em português, o que nos priva de talentos como os de Craig T. Nelson, Helen Hunter, Catherine Keener, Bob Odenkirk, Samuel L. Jackson e até de Barry Bostwick, numa participação especial mais uma vez vivendo um prefeito (como em Spin City).

Toda a família tem destaque, especialmente as mulheres

Publicado em Animação, Estréias, Filmes, Indicações | Com a tag , , , , , | Deixe um comentário

Dwayne Johnson luta contra a gravidade num Arranha-Céu

por Marcelo Seabra

Como a criatividade em Hollywood parece não ter para onde ir, o vilão agora é ninguém menos que a gravidade. Ela, ao menos, é um antagonista melhor que o estrangeiro de plantão de Arranha-Céu: Coragem Sem Limites (Skyscraper, 2018), longa que mais uma vez traz Dwayne Johnson fazendo peripécias que Sir Isaac Newton não aprovaria. Antes, ele teria que revogar suas leis. Qualquer bom senso deve ser deixado do lado de fora da sala para melhor apreciação.

Johnson novamente é um pai que vê sua família em perigo. Questões ligadas a laços de sangue ou amizade sempre estão presentes nos trabalhos dele. Temos uma traminha besta sendo desenrolada sem levantar nenhum interesse, que fica todo por conta de ver o astro pulando de alturas impensáveis, entre pontos distantes que nem o Batman atingiria. Mais ou menos como em Rampage (2018), Baywatch (2017) e toda a franquia Velozes e Furiosos. Um Espião e Meio (Central Intelligence, 2016), também comandado por Rawson Marshall Thurber, não fica muito longe dessa fórmula.

Interessante mencionar o diretor. Thurber tem várias comédias em seu currículo, sendo seu primeiro filme Com a Bola Toda (Dodgeball, 2004). Mesmo no caso de se enveredar pela ação, ainda mantém o aspecto cômico, como garante a presença de Kevin Hart em Um Espião e Meio. Nesse Arranha-Céu, o humor passou longe. Por um lado, é bom, já que não tem horas de piadinhas enquanto os personagens lutam contra a morte, o que irrita em muitas produções por aí. Por outro, faz parecer que todos os envolvidos estão levando o filme muito a sério, e uma quebra não faria mal. Afinal, temos uma série de absurdos enfileirados, rir de si mesmo não faria mal.

O roteiro, também de Thurber, coloca Johnson como um técnico de segurança que é traído e vira suspeito de tocar fogo no maior prédio do mundo. O problema é que o fogo está se alastrando e a família do sujeito está lá dentro. E ele, não. É aí que começa o festival de barbaridades, com escaladas, pulos e tudo o mais que causar nervoso. Como a ação se passa toda no alto, esses momentos tensos até acontecem, mesmo que a gente saiba como será o desfecho. O papel da esposa, nas mãos da sumida Neve Campbell (da franquia Pânico), é mais forte que o usual, o que traz uma boa surpresa. E o recurso do 3D dá um pouco de profundidade. Mas nada que salve a obra da mediocridade.

Neve Campbell foi reaparecer logo nessa bomba!

Publicado em Estréias, Filmes | Com a tag , , , , | Deixe um comentário

Vespa é a nova heroína Marvel

por Marcelo Seabra

Outra aventura do Homem-Formiga chega aos cinemas, e desta vez ele não ataca sozinho. No longa anterior, foram dadas várias pistas que nos levariam à Vespa, e a personagem dispensa apresentações. Como costuma acontecer na segunda parte de trilogias, quando todos já são conhecidos e a história de origem foi superada, tem-se mais espaço para a trama principal, que precisa ser bem desenvolvida para ter fôlego por toda a sessão. O resultado, como esperado, é charmoso e divertido.

Em Homem-Formiga e a Vespa (Ant-Man and the Wasp, 2018), descobrimos porque Scott Lang (Paul Rudd) ficou de fora da Guerra Infinita e os desdobramentos de suas ações na Alemanha ao lado do Capitão América e companhia, vistas em Guerra Civil. Em prisão domiciliar, vigiado pelo FBI, Lang vive de forma pacata, recebendo visitas da filha e da ex com o atual marido. E os dias se arrastam até que Hope Van Dyne (Evangeline Lilly) reaparece, requisitando ajuda para uma nova missão ao lado do pai, Hank Pym (Michael Douglas).

A grande frustração de Pym é ter perdido a esposa, Janet (Michelle Pfeiffer, de Assassinato no Expresso Oriente, 2017), no Reino Quântico, dimensão aonde Scott foi quando diminuiu ao máximo de tamanho. Surge uma possibilidade de encontrá-la, mas a tarefa não será fácil, com dois novos vilões entrando no meio. Um misterioso Fantasma (Hannah John-Kamen, de Jogador Nº 1, 2018) tem seus próprios planos e o traficante de tecnologia Burch (Walton Goggins, do novo Tomb Raider, 2018) vê nos inventos de Pym uma chance de ganhar uma bolada.

Muita gente entra na trama para que ela possa se sustentar. Além da volta de praticamente todos os personagens do primeiro filme, como Luis (Michael Peña) e sua trupe, temos as adições já citadas e ainda Laurence Fishburne (de Passageiros, 2016) como um ex-parceiro de Pym e Randall Park (o Presidente Kim de A Entrevista, 2014) vivendo o agente de FBI responsável por vigiar Lang. Park serve como alívio cômico e soa exagerado em alguns momentos, e esse é um bom resumo do filme: vários trechos engraçados, uns poucos forçados e fora do tom.

É interessante perceber que essa questão cômica é bem presente aqui, ao contrário das aventuras dos medalhões do estúdio, como Capitão América e Homem de Ferro (fora as piadinhas irritantes de Stark). O esforço para soar dramático é percebido nesses, enquanto o diretor Peyton Reed, advindo de comédias, não disfarça que prefere algo mais leve, despretensioso. Inclusive, com um bom uso de músicas pontuais. Isso leva alguns críticos a torcerem o nariz para a produção e taxá-la de menor, ou menos importante. Temos que lembrar que nem toda adaptação de quadrinhos se propõe a ser um Cavaleiro das Trevas (2008), e as próprias HQs são, em sua grande maioria, aventuras despretensiosas e divertidas.

Mais uma vez, é Rudd a grande força do longa. Seu carisma faz com que nos importemos com ele e sua família, e torcemos por ele mesmo quando faz as escolhas mais erradas. A diferença, agora, é o peso que Lilly ganha. O roteiro faz questão de reforçar que o Homem-Formiga e a Vespa têm o mesmo peso, a mesma importância. Ela tem até mais habilidade física que ele, que conta com seu jeito safo e maus hábitos de ladrão para resolver seus problemas. Ela, como o pai, tem traços de arrogância e presunção, mas é no fundo uma boa pessoa com intenções nobres.

Com cenas que fazem homenagens a filmes como Viagem Insólita (1987) e Viagem Fantástica (1966) e até a Curtindo a Vida Adoidado (1986), passando pelas perseguições de Bullitt (1968) nas ruas de São Francisco, Homem-Formiga e a Vespa não deixa de ter várias referências ao Universo Cinematográfico Marvel. Aparentemente à parte, ele acaba dando diversas pistas do que poderá acontecer no futuro, além de deixar muitas pontas soltas para uma hipotética próxima aventura e de mostrar como se situa no grande quadro. E não perca as duas cenas guardadas para o final, além da tradicional ponta de Stan Lee.

O Fantasma: no filme e nos quadrinhos

Publicado em Adaptação, Estréias, Filmes, Indicações, Quadrinhos | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário

Programa do Pipoqueiro #30

por Marcelo Seabra

A trigésima edição do Programa do Pipoqueiro celebra os 40 anos do lançamento de Grease – Nos Tempos da Brilhantina e de outros muitos filmes de 1978, além de trazer suas músicas mais marcantes e comentários sobre produções atuais. Aperte o play abaixo e divirta-se!

Publicado em Filmes, Homevideo, Indicações, Listas, Música, Programa do Pipoqueiro, Séries | Com a tag , , , , , , | Deixe um comentário

Hereditário é um terror fora da curva

por Marcelo Seabra

Nos últimos tempos, temos tido boas surpresas com os filmes de terror. Milhares são feitos, alguns prestam para alguma coisa e geralmente um leva o prêmio imaginário de destaque da temporada. Ano passado, a honraria ficou com Corra (Get Out, 2016), que acabou levando até Oscar. Em 2018, temos o privilégio de nem ter chegado ainda ao meio do ano e já termos dois destaques. Além do ótimo Um Lugar Silencioso (A Quiet Place, 2018), agora chega aos cinemas Hereditário (Hereditary, 2018), obra muito bem calculada em que os elementos se juntam como peças de quebra-cabeça e funcionam muito bem.

Não necessariamente você terá todas as respostas que busca. A trama corre, nos cativa, nos vemos torcendo por aquela família e logo o roteiro começa a brincar com a sua expectativa. Nada acontece como esperamos. Mesmo não sendo exatamente inovador, ele consegue brincar com as convenções do gênero e se firmar como uma obra sólida, que cumpre o propósito de assustar e ainda fazer pensar. Mérito total do roteirista e diretor Ari Aster, que estreia aqui em longas, mas assinou seis curtas anteriormente, nos quais aprimorou seu estilo. Influências ele tem, como O Bebê de Rosemary (1968), mas é algo bem discreto.

A história começa com a morte da avó dos Graham. A filha dela, Annie, tem que discursar no velório mesmo tendo tido uma relação distante com a mãe. Depois disso, ela toca sua vida normalmente, com o marido e o casal de filhos. Coisas estranhas começam a acontecer e paramos por aqui para não correr o risco de estragar nada. Aster e seu habitual diretor de fotografia, Pawel Pogorzelski, exploram a casa da família e seus arredores muito habilmente, transformando os pontos escuros em potenciais esconderijos para algum tipo de bicho-papão. O clima fica bem tenso, devendo nada para outros do gênero.

Não espere, em Hereditário, por sustos gratuitos. Não há gatos pulando de bobeira. Se um pássaro bate numa janela, existe um bom motivo. Aliás, tudo o que acontece no filme tem a sua razão, e as peças se encaixam no final. Mesmo que ainda fiquemos sem entender alguns elementos. Como não entendemos tudo o que acontece nas nossas vidas. E as regras do sobrenatural não são conhecidas, permitindo a Aster brincar com elas da forma que lhe convém, nos conduzindo como patos para onde ele quer ir. E vamos numa mistura de curiosidade e pânico.

Na provável melhor interpretação de sua carreira, a ótima Toni Collette (sempre lembrada por O Casamento de Muriel, 1994) dá um show como a mãe que busca explicações sobre o que está acontecendo com sua família – o que lembra bem de relance O Sexto Sentido (1999). O marido é vivido calmamente por Gabriel Byrne (de Os 33, 2015), e ele rouba a cena em pelos menos dois momentos. Os intérpretes dos filhos, apesar da pouca idade, não deixam nada a dever. Alex Wolff (um dos terroristas em O Dia do Atentado, 2016) e a estreante Milly Shapiro nos colocam em grande agonia, acompanhando-os naquela jornada.

É interessante notar que a trilha sonora começa forte, se sobressaindo, e vai sendo reduzida até se misturar com as cenas. Colin Stetson (de Criminosos e Anjos, 2016) ajuda o diretor a brincar com o público, compondo uma parte fundamental do esquema. E ainda somos presenteados com uma bela canção clássica ao final, nos créditos. O que é uma grande ironia, claro, já que estamos com medo até de levantar da cadeira. E aquelas imagens vão ficar por um bom tempo voltando à nossa mente.

O diretor garante que nenhum ator foi ferido na realização desse filme

Publicado em Estréias, Filmes, Indicações | Com a tag , , , , , , | 3 Comentários

Roubo e furacão tentam salvar longa do desastre

por Marcelo Seabra

Não será a primeira vez, tampouco a última, que vemos um longa de ação se aproveitar de um evento climático. No ano passado, por exemplo, tivemos Tempestade (Geostorm, 2017). Agora, conferimos uma bomba de igual tamanho chamada No Olho do Furacão (The Hurricane Heist, 2018), que coloca um bando de mercenários tentando um assalto milionário durante a passagem de um furacão de categoria 5, o pior. E o nosso herói é ninguém menos que um meteorologista, que vai se unir a uma agente idealista para impedir a jogada.

Responsável por pérolas como Velozes e Furiosos (2001), Triplo X (2002) e o mais recente O Garoto da Casa ao Lado (2015), o diretor Rob Cohen estava há três anos sem lançar nada e já havia esperança de que ele tivesse mudado de profissão. No entanto, caiu em seu colo um roteiro tão ruim que ele não conseguiu resistir. Reuniu um elenco de notáveis “quem” e torrou 35 milhões de dólares. A arrecadação, até o momento, não chegou nem na metade.

Assumindo o cargo de protagonista, para variar, Toby Kebbell (de Kong, 2017) vive um meteorologista que vai tentar convencer o irmão a deixar a casa e se abrigar adequadamente por causa da passagem de um furacão. O tal sujeito (Ryan Kwanten, de True Blood) dá suporte de informática a uma instalação militar que, justo no dia, deve dar cabo de 600 milhões de dólares em notas. Nesse dia, surpresa: criminosos pretendem roubar a fortuna e apagar suas pistas no furacão. Mas não contavam com a intrépida agente do tesouro vivida por Maggie Grace (a filha sequestrada da trilogia Busca Implacável).

Como o personagem principal é especialista em furacões, o roteiro quer fazer o espectador acreditar que ele é capaz de se aproveitar disso para vencer a batalha. Mas a verdade é que o texto é preguiçoso e cheio de conveniências. O tempo corre da forma que o filme precisa, para que tudo possa se encaixar. Não há nada de memorável em No Olho do Furacão. A tensão que poderia surgir passa longe, tamanha é a previsibilidade da obra. Talvez a única coisa legal seja o carro de Kebbell, uma espécie de Batmóvel do clima com mais carisma que todos eles juntos.

Publicado em Estréias, Filmes | Com a tag , , , , , | Deixe um comentário

Franquia dos dinossauros ganha novo episódio

por Rodrigo “Piolho” Monteiro

O ser humano, direta ou indiretamente, foi responsável pelo maior número de extinções de espécies animais e vegetais de toda a história registrada apenas no século XX. Fosse pela cobiça, superstições que dizem que o órgão genital ou o pó de ossos de animais selvagens tem propriedades medicinais milagrosas ou simplesmente pela expansão urbana, o fato é que a humanidade não se furta em acabar com espécies inteiras se isso não atrapalha seu progresso. A criação de leis que protegem os direitos dos animais foi um avanço, mas, ainda assim, estamos muito longe de viver em harmonia com os demais seres vivos que nos cercam.

Essa introdução pode parecer apenas propaganda ambientalista. Na verdade, ela se justifica bastante já que a extinção de diversas espécies de animais – ou uma segunda extinção, no caso – é a principal justificativa para a movimentar a história de Jurassic World: Reino Ameaçado (Jurassic World: Fallen Kingdom, 2018), que estreia no país no dia 21, mas já tem sessões de pré-estreia pagas. E não faça questão do 3D, que não acrescenta nada.

A história se passa dois anos após os eventos mostrados em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (2015). Depois do desastre causado pelo indominus Rex, o parque foi fechado e a Ilha Nublar, sua sede, foi isolada, deixando que os dinossauros que a habitam ficassem por lá vivendo sossegadamente. A ilha, no entanto, tem um vulcão que está prestes a entrar em erupção. Daí se segue o debate: o governo americano deve interferir e ajudar a resgatar os dinossauros presos na ilha, levando-os a uma nova localização para que suas vidas sejam preservadas ou simplesmente deixar que sejam exterminados uma segunda vez por um outro “ato de Deus”?

Claire Dearing (Bryce Dallas Howard) é uma das pessoas que acredita que os dinossauros merecem uma terceira chance de salvação. Depois de gerenciar o parque destruído no longa anterior, ela agora comanda uma ONG que tem o objetivo de salvar os animais de uma segunda extinção. Seus esforços parecem que serão recompensados quando Eli Mills (Rafe Spall), assistente do bilionário Benjamin Lockwood (James Cromwell), lhe faz uma proposta: ela deve ir até a Ilha Nublar ajudar no resgate de algumas espécies de dinossauros antes que a ilha exploda. Para isso, no entanto, ela precisará se reconectar com Owen Grady (Chris Pratt), o especialista em comportamento de velociraptores e dinossauros em geral que trabalhava no parque. Claro que, como diz o ditado, quando as coisas parecem muito boas para serem verdadeiras é porque tem algo errado. Claire logo descobrirá que nem tudo é como ela imaginava.

Com produção de Steven Spielberg e roteiro de Colin Trevorrow (diretor do longa anterior) e Derek Connolly, Reino Ameaçado é um longa divertido que tenta tocar em uma questão importante: o desequilíbrio ambiental que ocorre quando espécies animais são extintas ou, no caso, introduzidas em um ambiente que não está preparado para recebê-las. Isso, no entanto, é algo que fica mais no segundo plano e questionado principalmente pelo doutor Ian Malcolm (Jeff Goldblum, de volta à franquia – acima). Na superfície, é um longa de ação e isso é tanto seu principal mérito quanto seu maior defeito.

O fato é que, ao chegar no quinto episódio, a franquia dos dinossauros estabeleceu alguns clichês e, infelizmente, não se cansa de repeti-los. Há diversas situações que são muito previsíveis para quem assistiu aos filmes anteriores e isso tira um pouco da diversão. É meio ruim você pensar “ih, daqui a pouco isso acontece” e, exatamente alguns minutos depois, aquilo que você previu aparecer na tela. Há ainda algumas decisões dos roteiristas que reproduzem clichês de filmes de ação em geral, como o fato de um personagem sumir sem explicações e reaparecer justamente quando é mais necessário. Por outro lado, Reino Ameaçado traz novos elementos à franquia e estabelece meios para que ela resista por mais algum tempo, já que o escopo de suas histórias recebe uma bela expansão aqui.

Com relação ao elenco, além de Bryce e Pratt, temos também B. D. Wong repetindo o papel do Dr. Henry Wu, geneticista responsável pela clonagem dos dinossauros, algo que vem fazendo desde o primeiro filme da franquia, em uma performance mais afetada do que as anteriores. Completam o elenco principal Ted Levine, Justice Smith, Daniella Pineda, Geraldine Chaplin e a novata Isabella Sermon. Todos eles fazem seu trabalho de maneira competente, ainda que o Oliver de Pratt se pareça muito com uma versão alternativa do Starlord, personagem vivido por ele no Universo Marvel.

A trilha sonora ficou a cargo de Michael Giacchino e funciona muito bem no filme, sendo grandiosa onde necessário e mais discreta quando o momento exige. Já a direção de J. A. Bayona (de O Impossível, 2012) é competente e, se não reinventa a roda, sabe bem equilibrar os momentos de suspense com a ação desenfreada que marca boa parte do longa, além de tentar evitar os sustos fáceis típicos desse tipo de produção.

Jurassic World: Reino Ameaçado é meio que mais do mesmo. É um longa divertido, cheio de ação, com efeitos visuais muito bem feitos e que, apesar de trazer novos elementos, não se reinventa e usa e abusa dos clichês estabelecidas pela própria franquia desde o primeiro filme, lançado em 1993. Vai agradar os fãs e também aqueles que só querem ter uma boa diversão no cinema.

Pratt apresenta seu colega de elenco

Publicado em Estréias, Filmes, Indicações | Com a tag , , , , , , | 1 Comentário

Mateus Solano enfrenta um mistério romântico

por Marcelo Seabra

Depois de uma pesquisa nada complicada, dá para concluir que a obra do escritor francês Martin Page é bem bacana. Ele parece fugir de fórmulas e convenções de gêneros e criar personagens realmente interessantes. Mas daí a achar que ele pode ser facilmente adaptado para o Cinema é um grande engano. É o que prova Talvez uma História de Amor (2018), longa nacional que chega às telas depois de uma geladeira de três anos e nos presenteia com uma história sem pé nem cabeça.

No papel principal, Mateus Solano (de Em Nome da Lei, 2016) parece fazer o melhor com o texto que tem em mãos. Mas não ajuda o fato de Virgílio simplesmente receber um recado em sua secretária eletrônica de uma pessoa que ele não conhece e ficar obcecado com isso. Aparentemente vítima de um transtorno psicológico que aparece quando é conveniente, Virgílio tem uma rotina impecável, perfeitamente descrita em um post it colado na geladeira. A tal mensagem dá aquela sacudida nessa vidinha e o leva a pensar: “Quem é Clara e por que ela terminou comigo?”

A premissa é interessante e deve levar muita gente às salas. Mas tudo logo se mostra exagerado, com alguns picos de ridículo. Situações loucas como as que acompanhamos até poderiam ser reais, mas não temos elementos que deem base para pensarmos isso. Se fosse um emaranhado de sketches, algumas seriam bem legais, enquanto outras seriam fracas ou até irritantes. Costuradas juntas, não se sustentam. Fica quase um videogame, daqueles em que a fase se repete e o herói é obrigado a insistir em matar o vilão. A diferença é que Virgílio vai encontrando conhecidos, um atrás do outro, sem resultado algum. E fica claro que ele não tem paciência suficiente para ter amigos. No máximo, colegas de trabalho.

A psicóloga vivida por Totia Meireles é obrigada a correr e descobrir a possível causa dessa repentina amnésia do personagem, se é que é isso que aconteceu. A profissional experiente e segura não sabe nada sobre o assunto e vamos descobrindo junto com ela. Enquanto o problema de Virgílio é cercado de mistério, as coisas conseguem se manter minimamente atraentes. À medida em que tudo vai clareando, vai ficando menos interessante, até cansativo. Quase como um primo pobre de Depois de Horas (After Hours, 1985). Temos um desfile de coadjuvantes desnecessários, oportunidade para o diretor Rodrigo Bernardo usar várias celebridades em pontas, como Dani Calabresa e Marco Luque. E as ações do personagem de Paulo Vilhena são incompreensíveis.

As situações que fazem menção ao transtorno de Virgílio, somadas à aparição de um cachorro – cujo único propósito é ser fofinho – nos remetem imediatamente a Melhor É Impossível (As Good As It Gets, 1997). Mas o filme mais recente é sempre inferior aos que lembra. E, se o grande diferencial que Talvez uma História de Amor prometia ter era fugir de regras pré-estipuladas, é exatamente para lá que ele ruma. O final convencional é a cereja do bolo de um filme surreal (no mau sentido) e cansativo.

O diretor (de barba) apresenta seu elenco

Publicado em Adaptação, Estréias, Filmes, Nacional | Com a tag , , , , , | Deixe um comentário