Skip to main content
 -
Eduardo de Ávila
Araxaense e belo-horizontino; Advogado e Jornalista; caçula e temporão; 60 anos vagando pela vida nas ruas do interior e da metrópole observando o comportamento de pessoas e da própria sombra. Debater e discutir – de maneira saudável e com leveza – situações que vivemos no nosso dia a dia.

 - Daniela Piroli
Psicóloga clínica, graduada também em terapia ocupacional, curiosa sobre a vida e o mundo humano.

Empresa para pensar o trânsito ou fazer receita aos cofres municipais?

Imagem: arquivo pessoal

 

Trato hoje sobre a BHTrans. Quando me mudei para Belo Horizonte, ainda na década de setenta, tínhamos aqui a gestão do transporte da Região Metropolitana de Belo Horizonte a cargo da Metrobel. Foi uma fase interessante e das mais inteligentes que já existiram em Belo Horizonte. A Metrobel foi extinta posteriormente, na constituição estadual de 1989, quando houve a transferência desta gestão aos municípios.

Criada para gerir e propor alterações no tráfego, visando segurança e conforto do cidadão, seja pedestre ou motorista, a BHTrans vem se notabilizando como deficiente para a finalidade e se transformando numa importante fonte de receita para os cofres da capital. Quando se fala no nome da empresa, a primeira ideia que vem à cabeça do cidadão é multa.

Aliado a isso, assistimos diariamente à falta de ação da guarda municipal para ajudar a desembolar o trânsito de Belo Horizonte. A começar pelos cruzamentos em horários de pico, onde a atuação de um agente facilitaria para desafogar. Exemplos do desserviço dariam páginas e páginas da ineficácia da empresa.

 

Imagem: arquivo pessoal

 

Temos locais onde existem duas placas dando conta do início de área de estacionamento proibido. Darei um exemplo onde habitualmente passo. No conhecido condomínio “Clube dos Caçadores”, precisamente na Rua Roberto Alvarenga de Paula – próximo ao número 85 –, existem duas placas de início de estacionamento proibido. Afinal, qual das duas vale (?), considerando ainda que a primeira delas está encoberta por uma árvore. O local se transformou em atrativo para a guarda municipal aplicar multas e gerar receitas ao município.

Na região do Pátio Savassi, tenho observado o desrespeito às vagas destinadas aos idosos, já que recentemente passei a fazer parte deste grupo. Uma delas na Rua Lavras e duas outras na Rua Orange. Constantemente estão ocupadas por veículos sem o cartão de prioridade e qualquer ação policial que fiscalize. E até moto, como pode ser observado na foto acima. Aí, sim, seria objeto de aplicação de multas.

Imagem: arquivo pessoal

Bem perto da minha casa, numa rua de mão única denominada Chefe Pereira, recentemente o serviço de trânsito pintou faixa no chão para alertar ao motorista que deveria respeitar o “PARE”. Perfeito, não fosse a pintura na contramão. Felizmente as recentes chuvas apagaram a borrada, mas a foto do registro não tem água que anule. Haja inteligência!

São inúmeras aberrações. Se o motorista e mesmo o pedestre ficar atento, poderá perceber e anotar diversas agressões ao bom senso por parte da BHTrans. Até aquele carnê de estacionamento, num período recente, veio com problema de confecção. O usuário comprava o talão e tinha quase que rasgar a folha para conseguir raspar e registrar data e horário de sua utilização.

Essas poucas considerações, aliadas a milhares de outras que temos conhecimento, seguramente justificam a intenção que passou tempos atrás de a BHTrans adquirir desfibriladores. Não soube se a ideia prosperou, pois teve resistência interna, mas, se concretizado, necessitaria de um aparelho a cada quarteirão da capital. Afinal, a empresa está diretamente relacionada à raiva do usuário, princípio básico para que um ataque de nervos aconteça.

Postagens relacionadas

23 comentários em “Empresa para pensar o trânsito ou fazer receita aos cofres municipais?

  1. Beleza, Dudu. Continue com suas críticas construtivas. É bom para quem é criticado, é bom para quem ainda não se deu conta do problema que gerou a crítica. Abs.

  2. Parabéns Eduardo!
    Deu saudade do tempo em que os PMs chegavam com suas motos e resolviam em poucos minutos os engarrafamentos.

  3. Caro Eduardo, bom dia!
    Ótimo tema abordado. Espero que as autoridades debrucem sobre o tema e que trabalhem visando soluções para a população.
    Afinal, todos contribuem com impostos e lamentavelmente na maioria dos casos, os recursos vão para o ralo.
    Acorda Kalil!

  4. E a Rua Montes Claros com ônibus 🚌, mão e contra mão, verdadeiro absurdo!
    Liguei de dentro do ônibus (varias vezes para o nº do telefone afixado dentro do ônibus para sugestões da BHTTRANS )e não fui atendido !
    Faça o teste !
    Parabéns
    Abs

    1. À primeira cabe fiscalizar, já à outra orientar. Ambas deveriam trabalhar em harmonia pelo conforto do cidadão. Jamais priorizando multar e punir para fazer receita ao erário público. Caberia ao guarda mubicipal, por exemplo, orientar para impedir que o motorista feche um cruzamento.
      O guarda municipal multa e a BHTrans gerencia o recebimento a ser repassado ao tesouro municipal. Se gerencia, saudável seria gerir bem, o que não faz.
      Nem entrei noutra celeuma mais interessante. Ainda!

      1. “Jamais priorizando multar…” seria ótimo se muita gente não priorizasse a infração de trânsito! A indústria da multa, como muitos afirmam por aí, nada mais faz que seguir a indústria de infrações. O blogueiro mesmo deu alguns exemplos. Multa não é imposto. Paga quem quer!

  5. Muito boa a critica. Acrescente-se aos seus comentários, a ineficiência da sincronização dos semáforos, que lembrando Chico Anísio, “a sincronização de semáforos de BH é perfeita. Abre um, fecha o próximo”.

    1. Se o pedestre fosse esperar a educação do condutor, nunca atravessaria uma rua de BH! o semáforo faz o papel que a educação não deu conta!

  6. A bhtrans é o retrato da ineficiência do Estado brasileiro. Entra prefeito sai prefeito e nada muda. Muito pelo contrário: cada dia o trânsito piora mais. Socorro Kalil!!!!!!

  7. BH TRANS, serve para financiar campanhas politicas, o Kaliu ficou de mexer na caixa preta da Bhtrans e ficou quieto, sei lá o que aconteceu.

  8. Oi Eduardo.Confesso que li seu primeiro post em atenção ao meu carinho por você . Fui surpreendida por um texto gostoso, irônico, atual. Parabéns !Daí fiquei esperando o novo assunto. Bom lembrar que não te leio no outro blog, pois meu coração é azul! Sobre esta obscura relação BHTrans, guarda municipal e trânsito, um ponto importante refere-se às vagas pra portadores de necessidades especiais que estão sempre ocupadas por outros que vão ao cinema, teatro ou shopping! Basta olhar em frente ao numero 300 na rua dos Goitacazes! Acessibilidade também nenhuma! Ao Mineirão é praticamente impossível chegar! Escreve aí.

    1. Não entendi. Você critica a BHTRANS de ser ineficaz (ou será ineficiente?) e logo em seguida dá exemplos que exigiriam a presença e atuação (fiscalização enérgica, né?) da mesma. Sério, o que você acha que se deve fazer com condutores que ocupam, sem o devido direito, vagas reservadas a portadores de deficiência? Orientação??!!! Um tapinho nas costas, talvez?! Incoerência é um dos piores defeitos do ser humano!

  9. Eduardo, você parece saudoso da Metrobel. Ela realmente teve um papel importante na história do planejamento de transportes e trânsito na região metropolitana de BH. Boa parte de seus quadros migraram para a atual BHTRANS (caso de BH). A Metrobel, assim como a BHTRANS, começou com a uma tarefa nobre e tinha um perfil essencialmente técnico. Mas, com o tempo a política tomou conta dela, assim como agora toma conta da BHTRANS. O roteiro é o mesmo: inicialmente, ambas empresas receberam todo apoio e estrutura necessários a execução de suas finalidades. Depois, gerenciadas pelo lado podre, populista e demagógico de seus dirigentes. O Estado na Metrobel e a Prefeitura na BHTRANS, cederam às conveniências mais rasteiras, servindo de plataforma para candidatos em ano eleitoral e hipocrisia dos infratores, os únicos a reclamarem da fiscalização que lhes atreve a colocar limites ao egoísmo, como você mencionou em post mais atual. Sugiro a você e a quem mais interessar ler o texto que conta a história da Metrobel, da sua constituição até pouco antes do seu fim. Procure por POLÍTICA DE TRANSPORTE NA REGIÃO METROPOLITANA
    DE BELO HORIZONTE: O PAPEL DA METROBEL. Os autores são SÉRGIO DE AZEVEDO e MÔNICA MATA MACHADO DE CASTRO. Vale a pena. Isso pode mudar sua perspectiva sobre a atuação de órgãos de fiscalização que todos sabemos ser necessários, mas que sempre atacamos quando nos convém, não é mesmo? Boa leitura.

  10. Olá Eduardo ! Ótimos comentários sobre nosso cotidiano em BH. Que tal uma “olhadela” na Av. Antônio Radares, digo Antônio Carlos ? Aquilo alí virou uma fábrica de arrecadação de multas, uma vez que a cada poste há um radar, ora de velocidade ora de avanço de sinal. O mais criminoso é o tal radar de avanço de sinal, pois nunca se sabe quando o mesmo irá fechar e lá vem a multa. Penso que todo radar de avanço deveria ter o sinal com temporização a vista, pois permite que o motorista avalie se pode ou não continuar trafegando. Mas a intenção certamente não é essa e sim “arrecadar” e encher os cofres do Kalil. Veja por exemplo os radares de avanço no entroncamento da Av. Marechal Esperidião Rosa com a Antônio Radares, no São Francisco. São vários radares, todos como uma pegadinha para arrecadar.

    1. Sobre a ansiedade em arrecadar da Prefeitura, através da ineficiente BHTrans, já tratamos aqui. Mas, como continua tudo como antes, vale a pena voltar ao tema. Obrigado!

      1. Sério?! Você concorda realmente com o Jeremias Martins? Mesmo diante das estatísticas de atropelamento, dos acidentes com vítimas, das mortes e invalidez permanente, mesmo com todas essas informações e a barbárie que é o trânsito em BH (em todo país, na verdade!), você concorda que a intenção dos radares é exclusivamente a arrecadação? A Ave Antônio Carlos, cujo acesso ao transporte público (estações de integração e MOVE), é feito pelas pistas centrais, o que implica o atravessamento da avenida, seria melhor sem os radares e os semáforos? Afinal, quem é mais importante: a pessoa ou o carro? Reflita sinceramente!

        1. Se posso sugerir, seria bom que relesse meu comentário. Repetindo, onde me manifesto. Com atenção e moderação. Fica mais compreensível.

          1. Eduardo, foi exatamente isso que fiz. Devolvo para sua reflexão: volte com calma a todos os comentários que fiz em sua postagem e nas réplicas de outras pessoas que comentaram. Fiz um contraponto às afirmações que de certo modo considerei simplistas demais para problemas mais complexos do que realmente aparentam ou comentários tais que denotam pouca reflexão ou são resultado de certos mitos difíceis de serem revistos. Por exemplo, a noção de indústria de multa. Pode-se falar que se multa muito com intenção meramente arrecadatória quando constatamos (e você descreveu vários exemplos) uma “enxurrada” de infrações por todo lado que se anda? Ao contrário, não precisamos é de mais fiscalização para coibir o que nada mais é do que o egoísmo das pessoas ao fazerem o que bem entendem do espaço público, um espaço que deveria ser compartilhado com respeito e educação? A quantidade de vítimas e estatísticas tão cruéis do trânsito e um modelo de vida que privilegia o uso o “bem estar” do automóvel mais que das pessoas não deveria ser combatido e em vez de enaltecido?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.