Custos das melhorias nos novos ônibus de BH podem impactar na tarifa

Publicado em Ar-condicionado, Move, ônibus executivo, Suspensão a ar, Tarifa, Transporte urbano
Bruno Freitas/EM/D.A Press

A exigência de ar condicionado e suspensão a ar nos ônibus convencionais – fora do sistema BRT/Move – que entrarem no transporte coletivo de Belo Horizonte pode impactar no valor da tarifa nos próximos anos. Apenas os dois novos itens de conforto, realidade já presente em capitais brasileiras como Rio de Janeiro e São Paulo, representam um acréscimo de cerca de R$ 39 mil no preço de compra de cada veículo. Os custos advindos das mudanças e as receitas atraídas pelo novo perfil de frota, como define a BHTrans, ‘podem ocasionar o pedido de revisão tarifária, seja pela prefeitura ou os consórcios operadores’, afirma a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte.

As novas auditorias anunciadas pelo prefeito Alexandre Kalil em 2 de fevereiro, como parte das melhorias do sistema, servirão de parâmetro para o futuro valor da passagem – hoje de R$ 4,05 na maioria das linhas da capital. Contratadas por meio de licitação, as auditorias fiscal e contábil pretendem ‘avaliar os reais custos operacionais’ do sistema, acrescenta a BHTrans em nota ao Faixa Exclusiva.

O preço médio de um ônibus urbano nas especificações do transporte de BH é de R$ 350 mil. Apenas o ar-condicionado representa um acréscimo que varia de R$ 28 mil a R$ 40 mil por veículo (média de R$ 34 mil), de acordo com o fabricante do equipamento. Já o chassi equipado com suspensão a ar, agora vendido sob encomenda pela Mercedes-Benz, principal fornecedor dos quatro consórcios da capital, soma R$ 5 mil no preço final.

Existe ainda a chance de os ônibus convencionais com ar condicionado e suspensão a ar exibirem nova identidade visual, nos moldes do BRT/Move, como forma de destacar aos usuários e população as melhorias. A maioria dos novos ônibus de BH adotou como cor predominante o azul das linhas bairro a bairro, desconsiderando a padronização de cor por tipo de serviço implantada pela extinta Metrobel em 1982, a primeira do gênero no Brasil: há ainda o amarelo (linhas alimentadoras, entre bairros e estações), o verde (linhas troncais, estações/centro), o laranja (bairro a bairro sem passar pelo Centro) e o cinza (executiva).

Euler Júnior/EM/D.A Press 16/10/2012 Ar condicionado é diferencial na única linha executiva restante em BH, a SE02 (Buritis/Savassi). Será que ela dura?

Enquanto não for concluída a auditoria está suspensa a retirada do agente de bordo (cobrador), que ocorria principalmente nas linhas de bairros periféricos e no período noturno.

Kalil e BHTrans também prometem melhorias nos quadros de horários e itinerários das linhas alimentadoras e de vilas e favelas (micro-ônibus), ampliação do número de faixas exclusivas para ônibus, ampliação da fiscalização de todas as linhas e presença da Guarda Municipal nos coletivos – a fim de garantir mais segurança em meio à onda de assaltos que tem assustado os usuários de ônibus de Belo Horizonte.

A partir do dia 6 de março também serão iniciados os testes de circulação de táxis na pista exclusiva do Move da Avenida Antônio Carlos. O conjunto de medidas tem como objetivo principal melhorar a qualidade do transporte público, que amarga queda no número de passageiros transportados nos últimos anos, enfrenta a concorrência de novos modais como o aplicativo Uber e uma tarifa considerada proibitiva para boa parcela da população.

RENOVAÇÃO PLANEJADA Antes mesmo de Kalil anunciar uma renovação de frota estimada em 300 ônibus com ar condicionado e suspensão a ar, ainda em 2017, e outros 500 por ano a partir de 2018, uma de suas promessas de campanha, o Setra-BH já considerava os itens de conforto nos novos ônibus. Questionados pelo Faixa Exclusiva em 26 de janeiro, entretanto, tanto o sindicato das empresas concessionárias do transporte coletivo quanto a BHTrans deram respostas evasivas a respeito.

‘Em Belo Horizonte circulam 428 ônibus do sistema BRT Move com ar condicionado, dos quais 236 são padron e 192 articulados. Quanto aos demais questionamentos, o SetraBH encontra-se impedido de tecer qualquer comentário ou fazer previsões ou estimativas, tendo em vista não ser parte nem ter conhecimento do teor das citadas ações’, afirmou o sindicato.

‘O Presidente da BHTrans tem discutido com a equipe de governo para se inteirar de todos os assuntos da empresa e para que sejam analisadas e implementadas ações de melhoria no trânsito e transporte da capital. Com relação às promessas do prefeito mencionadas por você no e-mail, elas ainda serão discutidas. Portanto, ainda não temos mais informações no momento’, disse a BHTrans.

META NUMÉRICA Depois da renovação de 340 novos ônibus convencionais (11,53% da frota) ao longo de 2016, fontes consultadas pelo blog acreditam ser improvável, em meio à crise econômica, que todas as empresas consigam trocar mais 300 coletivos neste ano – estimativas conservadoras apontam 100 novas unidades.

9 comentários para “Custos das melhorias nos novos ônibus de BH podem impactar na tarifa

  1. Tudo é motivo para se aumentar a passagem… É uma boa iniciativa ter ar condicionado e suspensão a ar mas o “vai e vem” de necessidades atrapalha todos planejamento. Lembro que há anos atrás foi estabelecido que os ônibus deveriam ter motores traseiros, facilitando assim o acesso aos ônibus pela porta dianteira e também em questão de ruído ao motorista, que não estaria mais exposto ao grande barulho. naquela época, todas as empresa compraram os ônibus e depois esta recomendação de motores traseiros deixou de ser obrigatória. O que aconteceu? Todas as empresas voltaram a comprar estes “ônibus caixotes” que temos em circulação. Também tínhamos os ônibus de piso baixo que também em determinado ano virou obrigatório que cada empresa tivesse um percentual deste tipo de ônibus em cada linha e depois deixou de ser obrigatório. Ou seja, cada prefeito muda as coisas e vira uma verdadeira bagunça… Precisávamos de uma rede de metrô nesta capital mineira! As atuais empresas que domina o transporte de coletivos em BH são as mesmas há décadas. Os dias passam, e tudo piora. Nunca melhora!

  2. Bruno, discordo.
    Basta abrir concorrência no mercado, desmantelando o cartel, que aparecerá sim, empresários querendo oferecer um serviço melhor, por um preço mais atrativo!
    O problema, já é conhecido: os atuais consórcios de BHZ, já estão na concessão a mais de 60 anos!

  3. Tem que reformular a frota de coletivos mesmo. Alguns estão parecendo carroças, com goteiras e barulhos intermináveis de lataria e outros. O que nao justifica, é o valor alto com coletivos no mínimo deplorável.

  4. Deixe-me ver se entendi bem: A adequação dos ônibus terá custo adicional para as empresas. Certo, óbvio; As tabelas de custos (incrível, os custos são mostrados rapidamente, já as planilhas de operação tão questionadas e exigidas, nem sombra delas…), mostram valores em média. Será que como empresários, esses valores não podem ser negociados? não existem outros fornecedores de chassis, tem que ser mercedes?? Estamos falando de empresas públicas ou privadas???OK, ponto a se discutir. Agora, a anos não vemos a frota ser melhorada. Mudam-se bancos, pintura e outras características “cosméticas”, que pouco trazem de conforto ao cidadão. E então, quando se propoe de darem alguma contrapartida para o cidadão, nos jogam na cara seus custos? E os do cidadão? Será que aumento de gasolina, insumos e outros só afetam as empresas? A prefeitura agora irá agir em favor de quem afinal de contas?

  5. Se as empresas já estivessem fazendo isso aos poucos a um bom tempo atrás hoje já estariam com a frota renovada, mas não eles só querem colocar as sucatas nas ruas e lucrar muito, pagando mixaria aos motoristas, eu acho que a prefeitura tem que fazer a lei exigindo esses ônibus e manter o valor da passagem as empresas que se virem, e se não quiser tenho certeza que tem muitas outras empresas fora da panelinha da Bhtrans querendo essa bocada.

  6. Por que tudo o que é viável em qualquer outra grande cidade do Brasil não pode ser viável aqui? Por que o jornal estado de Minas prega contra qualquer novidade oferecida a BH? Por que só aqui ônibus com ar-condicionado e suspensão a ar são inviáveis?
    O transporte público belorizontino é o mais caro do Brasil e um dos piores do mundo. Essa cidade ainda vive no século 20 porque a mediocridade de quem a comanda não tem interesse de vê-la evoluindo. É inadmissível a pão-duragem e o comportamento pré-histórico desses empresários de ônibus mineiros. Atuam na cidade como coronéis do Brasil colonial, inviabilizam metrô e vlt e ainda pioram a cada dia o serviço que oferece. Essa capital de Minas é uma piada de muito mal gosto.

      1. Já passou da hora da BHtrans exigir o uso de ônibus com motor entre eixos ou traseiro em todas as linhas de BH e que a Setop exija o mesmo para os ônibus metropolitanos.
        Os ônibus atuais de motor dianteiro, conhecido como Cabritos (pulam e socam demais) só podem ser utilizados nas estradas de terra onde realmente se exige um ônibus mais robusto.
        Um exemplo disso são alguns ônibus que fazem as linhas do Vale do Jequitinhonha. Até onde vai o asfalto são utilizados ônibus com suspensão macia. Quando o asfalto termina, é feita a baldeação para ônibus com motor dianteiro porém com bancos reclináveis.
        Não é possível a população de Belo Horizonte continuar andando nestes cabritos puladores e socadores barulhentos.

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