Condução econômica? Motorista de coletivo de BH dirige a 50km/h na Linha Verde

Publicado em Condução econômica, Conexão Aeroporto, Transporte urbano
Bruno Freitas/EM/D.A Press
Bruno Freitas/EM/D.A Press

Queixa recorrente entre usuários do transporte coletivo de Belo Horizonte, a baixa velocidade de parte da frota tem levado, além da demora e atrasos nas viagens, à situações inusitadas no trânsito urbano. O blog observou na manhã desta terça-feira (14) um coletivo da linha 642 (Estação Venda Nova/Estação Vilarinho/Cidade Administrativa) trafegando a 50km/h na Linha Verde, uma das principais vias de trânsito rápido da capital mineira. A velocidade máxima no trecho é de 110km/h para veículos leves e 80km/h para veículos pesados. Embora o artigo 62 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) permita um limite mínimo de até a metade, para conseguir dirigir com segurança em relação aos demais veículos, o motorista teve de utilizar parte do acostamento.

Veículos do serviço Conexão Aeroporto que atendem ao Aeroporto Internacional de Confins trafegam pelo mesmo trecho da MG-010 a média de 80 km/h e nos casos dos motoristas mais “pé quentes” chegam a ir a 90km/h – máxima permitida para veículos pesados no Brasil, incluindo ônibus, mas acima da velocidade regulamentada na MG-010. Com considerável demanda de passageiros, a linha 642 é o único meio de transporte que integra o público em geral que vai à Cidade Administrativa a partir da Estação Vilarinho – servidores públicos e funcionários terceirizados utilizam o transporte fretado. Nenhum passageiro embarcou ou desembarcou na rodovia. Todos viajaram sentados ao longo da viagem.

A baixa velocidade nos coletivos de Belo Horizonte é incentivada por programas de condução econômica adotados pelas empresas de ônibus. As iniciativas tem como principal objetivo reduzir o consumo médio de combustível (óleo diesel). Motoristas que alcançam os melhores índices de consumo recebem bonificações ou benefícios. Parte das empresas já dispõe de um chip que monitora e limita a velocidade em todo o trajeto.

OUTRO LADO O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) não trata abertamente a condução econômica. O órgão se limitou a explicar, em nota, que se trata de um assunto de gestão interna das empresas, que têm autonomia para trabalhar da forma como julgar mais adequada. “A velocidade de 50km/h justifica-se pela necessária observação de comportamento profissional que visa à preservação da segurança dos usuários e profissionais do sistema, além de ser condizente com o tempo de deslocamento previsto para a linha (642). Se considerados também o fato de os ônibus transportarem usuários em pé e o direito de os passageiros se levantarem durante o percurso e se consideradas as seguidas paradas nos pontos de embarque e desembarque, os motoristas dos veículos de transporte coletivo urbano devem ter atenção redobrada com a velocidade, que não pode, em nenhuma hipótese, ultrapassar os 60km/h”.

O Setra-BH ressalta ainda que, apesar da constância da velocidade registrada no coletivo da linha 642, a baixa velocidade não implica necessariamente na redução do consumo de óleo diesel.

O QUE DIZ O CTB:
“Art. 62. A velocidade mínima não poderá ser inferior à metade da velocidade máxima estabelecida, respeitadas as condições operacionais de trânsito e da via”.

17 comentários para “Condução econômica? Motorista de coletivo de BH dirige a 50km/h na Linha Verde

  1. Errado! As empresas de ônibus não têm autonomia para prestar o serviço da forma que querem, uma vez que a prestação de serviço de transporte de passageiros é serviço PÚBLICO atípico, em que o ESTADO é o titular e a empresa apenas a delegatária. A qualquer tempo o Estado pode encampar o serviço, logo, a delegatária não pode prestar os serviços da forma que quiser.

  2. Uai, não entendo a discussão, se pode andar nessa velocidade pela lei o que a reportagem questiona? Apenas o fato de se andar em uma velocidade dentro da lei pelo fato de se economizar? Antes se questionava quando os motoristas de coletivos dirigiam igual a loucos, agora se questiona que dirigem de forma mais urbana apenas pelo fato de se economizar? Qual o problema?

    1. A condução econômica é benéfica para o caixa das empresas (reduz o consumo) e o meio ambiente. Por outro lado, os excessos desta prática levam a situações narradas pelo blog. Atrasos e demora nas viagens. Cabe ao blog demonstrar o contraponto. Se há excessos, porquê não melhorar?

  3. Bom dia Bruno !
    Acho um desperdício se gastar milhões para desenvolver veículos e fazer ruas e estradas e depois criar limites baixos de velocidade… “linhas verdes e veículos modernos “deveriam cumprir o que se espera do desenvolvimento : Mais rapidez na ligação entre dois pontos ! A humanidade e o progresso demandam RAPIDEZ… Se houvesse complementos de segurança nas “vias ” poderíamos GANHAR TEMPO ( Premissa básica do transporte automotor ) , mas dentro do planejamento estratégico das administrações que viram ( criaram ) a oportunidade , ganhamos multas , irritação , estresse e etc. Porquê vc não começa um estudo sobre o que realmente é necessário para fluidez y rapidez no modal ? Abs

  4. Bom dia Bruno! Esta matéria mostra algumas medidas para melhorar a segurança com o condutor e dos usuários. O tempo de viagem realmente pode ser o entrave para dar qualidade ao sistema, porém, é preferível o condutor operacionalizar com maior cuidado, sem solavancos e freadas bruscas e atender com segurança sua rota de trabalho.
    É claro que para algumas situações, como uma rodovia, por exemplo, poderiam colocar a velocidade para 60 km/h dentro desta condução econômica.

    Mais uma vez parabéns pela matéria.

    1. Segurança em primeiro lugar. Mas não nos esqueçamos da qualidade do serviço prestado, o que inclui agilidade. Grato pela visita e participação.

      1. Se segurança estive em primeiro lugar, os ônibus já seriam equipados com cintos de segurança a tempos….. Mas o lobby não deixa…..

  5. Não só os coletivos a qual roda entres bairros e também liga estação Venda Nova a Cidade ADM, todas as linhas do MOVE você passa raiva, muita lentidão, não passa de 50KM, a linha 62 é a pior de todas, economia porca e que leva a pior somos nós passageiros em chegar destino atrasados ou em cima da hora, as KM com o MOVE só piorou.

  6. Bruno alem de qualquer coisa ,estou me sentindo super feliz , e dizer que voce caiu do ceu , quando gente nao tem a quem recorrer , e muito dificil ,quem depende desse 642 passa raiva demais, ja foi confirmado que eles nao tem despachante no final que e na Camg ,entao a hora que eles bem querem , tem vez que vem 2 juntos 1 chega no segundo ponto lotado , ai o outro passa vazio e vai embora ,enquanto estamos sardinha . Ai Bruno muito obrigada tomra que seja mais divulgado .

    1. Pelo que percebi são poucos ônibus em trânsito na 642, o que acarreta em intervalos de 20 minutos ou mais entre as viagens. Numa linha que deveria ser considerada pela BHTrans como prioritária, uma vez que é a única alimentadora que interliga a Estação Vilarinho à Cidade Administrativa.

  7. Trabalho na cidade administrativa e posso afirmar que os veiclos fretados andam até mesmo abaixo de 50km por hora. Meu receio e que um dia um desses ônibus seja atingido por uma carreta bitrem comum na região Que trafegam em média a 90km por hora. Os ônibus entram na rodovia e diminuem a velocidade na frente destes veiculos

  8. Sou usuário da linha 62 (Venda Nova/Savassi). Sei que o contexto do assunto aqui é condução econômica, mas aproveito para externar algumas coisas, no qual creio que, todos os usuários dessa linha devem sentir.
    Para mim é a pior linha de ônibus dentro do sistema Move. Já me falaram que o 64 (Venda Nova/Santo Agostinho) é ruim também, mas achoque nada supera o 62 em péssimos serviços prestados ao usuário, a saber:
    1º – A higienização dos veículos é péssima;
    2º – Assentos estreitos. Os passageiros ficam espremidos uns com os outros;
    3º – Alternância entre circuladores de ar e ar-condicionado;
    4º – Leva-se praticamente 1 hora e 10 min a 1 hora e 20 min no trajeto, da saída da estação Venda Nova à rua Professor Morais, por que os motoristas devem achar que os passageiros estão de férias ou fazendo turismo na capital. Conduzem o veículo a estarrecedores 30 km/h (pode chegar aos 40 se alguém der o grito);
    5º – Se antes do Move, o ônibus percorria a pista mista e levava 45 min para fazer o percurso, por que agora leva entre 1 hora e 10 min à 1 hora e 20 min, o mesmo trajeto em pista exclusiva?
    6º – O 62 leva exatamente 30 min da avenida Silviano Brandão até a avenida Getúlio Vargas. É o único pedaço do trajeto que não tem pista exclusiva.
    É claro que o funcionário não deve exagerar na velocidade e colocar em risco a sua vida e a vida dos passageiros, mas será que estão realmente olhando a segurança dos mesmos?
    Vale lembra também dos motoristas que cortam o trajeto e das linhas que abastecem as estações com ônibus oriundos dos bairros (intervalos imensos), o que faz o usuário perder o ônibus em determinado horário com destino ao centro da capital.
    Já fiz várias reclamações no telefone 156 (PBH). Enviam a resposta por e-mail, de forma padrão, de vez em quando mudam alguma coisa no último parágrafo da resposta, mas vê-se que não adianta muita coisa. Estamos a mercê de um sistema que só funciona na propaganda da TV. Lastimável.

  9. É absurdo,da parte do Setra,dar esta justificativa.Se realmente estivessem preocupados com a segurança dos passageiros,nenhum passageiro viajaria em pé e o posto de cobrador seria mantido.

    A justificativa do Setra não se aplica até porque algumas linhas metropolitanas percorrem longos trechos de estradas,e nelas os motoristas trafegam a 80 km/h sem maior risco á segurança.Porém os valores foram invertidos,e os veículos motorizados que teoricamente serviriam para agilizar o tempo de viagem,estão sendo manipulados pelas autoridades para o inverso,atrasá-la ainda mais.

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