2014: muitas emoções!

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Copa do Mundo, eleições e mensalões. O ano de 2014 será inesquecível. Nunca antes na história deste país uma conjunção de fatores que geram passionalidade ao extremo esteve tão próxima. O resultado dessa mistura de pura nitroglicerina é imprevisível…


Comecemos com os mensalões: o julgamento da Ação Penal 470 já entrou para a história do Brasil pelas circunstâncias em que foi julgada e por ter gerado tanta polêmica, simbolismos,… O poder econômico foi utilizado perversamente pelos partidos e por operadores políticos para compor o caixa dois de campanhas e de partidos. Tomara que os desdobramentos da Ação Penal 470 sinalizem para uma possibilidade real e efetiva de punição dos financiadores ocultos de campanhas.

No ano que vem teremos o julgamento dos embargos infringentes. Será que Joaquim Barbosa, o senhor das leis – como foi estampado em capa de certo folhetim nacional – vai continuar incólume a processar a ‘justiça’?

Mas o fato novo e mais aguardado será o julgamento do Mensalão Tucano destas Alterosas. Será que vai valer aquele velho ditado segundo o qual ‘pau que bate em Chico, bate em Francisco’? E a Teoria do Domínio do Fato? Será aplicada indistintamente doravante ou vai se configurar em um oportunismo jurídico usado para a eleição de bodes expiatórios?

O fato é que, se não houver uma reforma política que mude a lógica de financiamento das campanhas eleitorais no Brasil, os mensalões vão continuar envolvendo os partidos e os financiadores de campanhas eleitorais. E a punição de alguns, se for necessária, não será suficiente para mudar a cultura política da ladroagem.

Quando se trata de corrupção, é preciso lembrar uma coisa: quando há corruptos, sempre há corruptores. A corrupção é uma engrenagem que só funciona quando vários atores se associam. Políticos, empresários, construtoras, banqueiros, geralmente contam com a omissão e/ou a conivência da Justiça e a cumplicidade da sociedade. Não sejamos ingênuos de pensar que essa engrenagem será desmontada magicamente a partir de agora.

Outra pergunta que não quer calar: teremos novas ‘jornadas de junho’? Será que os eleitores e os movimentos sociais estão contentes com as respostas que as instituições republicanas processaram em relação aos clamores populares ocorridos em 2013?

E a Copa do Mundo? Vai se transformar em um evento popular ou em uma festinha para os homens e as mulheres de bens? O futebol vai continuar a exercer o fascínio capaz de eclipsar as mazelas nacionais?

Para quem gosta de fortes emoções, 2014 terá todos os ingredientes para se tornar um ano inesquecível na ‘república das bananas’ – para a alegria dos gringos e o deleite dos analistas de plantão.PS: as oposições ao governo Dilma apostam que novas jornadas de junho (deste ano) serão a “bala de prata” a aniquilar o “reinado petista”. Os estudos mais recentes sobre as jornadas de junho de 2013 começam a mostram que se o movimento do ano passado foi bastante difuso, a forma de cobertura da mídia – privilegiando certas pautas, de certos grupos sociais -, foi bastante orquestrada e com foco na tentativa de disseminar o pessimismo e o caos social. Portanto, uma nova batalha se avizinha…

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