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Blog do curso de Jornalismo da universidade Fumec

Umbanda: uma religião na luta contra o preconceito

O altar ou congá, como é conhecido na religião, carrega imagens de santos católicos e simbolizam o sincretismo religioso(Foto:Marcela Duarte)

Macumba, feitiçaria, magia negra. Seja qual for a interpretação ou reação, o pré-conceito pelo desconhecido é o que causa desrespeito religioso

     Por Marcela Duarte

Intolerância religiosa é a palavra que descreve a falta de vontade de alguém em reconhecer e respeitar diferenças ou crenças religiosas de terceiros. Que o assunto é polêmico, todo mundo sabe. O que a maioria não sabe, é como respeitar o espaço do outro independentemente de sua própria crença. Ao pré-julgar alguma delas, você sabe realmente como ela funciona ou no que ela acredita?

A Umbanda, por exemplo, é pouco conhecida verdadeiramente pelos brasileiros. Dados da última pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o assunto mostram que menos de 1% da população é adepta à religião.

A religião é afro-brasileira e ficou popularmente conhecida no ano de 1908, no sudeste do Brasil. Em 2012, foi sancionada a Lei 12.644 que decreta o Dia Nacional da Umbanda, a ser comemorado anualmente em 15 de novembro. Alguns dos principais conceitos da religião são a mediunidade, a reencarnação, a manifestação de espíritos, dentre outros. Por isso, é comumente associada à macumba (magia negra) ou coisa ruim. Maria Nilce Lopes Cardoso, de 64 anos, é mãe de santo e regente de um terreiro de Umbanda no bairro Pirajá, na região Nordeste de Belo Horizonte. Ela conta que frequentemente lida com o preconceito, mas que ainda tem esperança que um dia isso vai acabar. “Pode acabar, sim, mostrando ao mundo que a umbanda é de paz, amor, carinho e bons conselhos para a vida. O povo tem que nos respeitar como eles respeitam as igrejas, por que Deus é um só e cada um tem a sua fé”, desabafa.

E ainda há esperança, toda regra tem a sua exceção. Daniela de Souza, estudante de 22 anos, é evangélica e conta que não frequenta e não sente vontade de conhecer, mas nem por isso critica a religião. “Creio eu que meu espaço começa quando o do outro termina, por isso, o que deve haver sempre é o respeito. Independente de crença, religião ou o que for, ninguém deve julgar ou ser preconceituoso com a opção do outro. Já tive convívio com pessoas que são espíritas, mas nem por isso as descriminei. O importante é acreditarmos que existe, sim, uma força maior capaz de unir todos através do amor”, relata.

A mãe de santo Maria Nilce, explica como que, há 40 anos, descobriu que espalhar o amor e a caridade através da Umbanda era a sua missão. “Comecei com uma dor de cabeça noite e dia sem parar, aí fui em uma benzedeira e ela falou que eu era médium. Depois de um certo tempo frequentando a casa dela, ela falou que eu estava pronta para abrir o meu terreiro”, conta. Como ainda não tinha condições, Nilce, como prefere ser chamada, começou a atender em sua própria casa. “Atendi por 20 anos em casa e de graça, sem cobrar nada”, explica.

Em janeiro de 2008, a espera chegou ao fim e Mãe Nilce conseguiu ir até a Federação Espírita Umbandista do Estado de Minas Gerais e registrar a sua própria casa espírita, o Templo Umbandista Pai Joaquim de Aruanda. Nela, são realizadas duas reuniões por semana, sendo uma na quinta-feira e uma no sábado. A sessão começa com a reza do pai nosso, tradicionalmente conhecida no catolicismo e, em seguida, se dá o início dos cantos para as entidades do dia.

Para quem não sabe, entidade espiritual é um espírito evoluído que tem permissão para se comunicar com os seres humanos através do corpo do médium, aconselhando, curando ou benzendo quem procura ajuda. Nilce explica que, em geral, as pessoas vão em busca de amparo nos mais variados temas: estresse, desemprego, doença, cargas negativas e benção. Quando perguntada sobre o que mais gosta de ver em sua casa, ela afirma: “Gosto de cantar músicas novas para as entidades, de cuidar e doutrinar os meus filhos do terreiro”, declara.

E assim é a Umbanda: amor, caridade e a humildade. É a prática do bem, sem olhar a quem. As entidades oram e vigiam por seus filhos e esses sabem que nunca estarão sozinhos.

A mãe de santo Maria Nilce em uma de suas sessões no seu terreiro de Umbanda, Templo Pai Joaquim de Aruanda(Foto: Marcela Duarte)

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