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Blog do curso de Jornalismo da universidade Fumec

Piercing: Como não entrar numa furada

Confiar em um body piercer ou procurar orientação médica: profissionais discutem como proceder na hora da perfuração

Autor: Por Pietra Pessoa

Se você está pensando em colocar um piercin, a quem recorrer? A um body piercer ou a um dermatologista? Há controvérsias entre os próprios profissionais.

Não há dados precisos sobre o comportamento das pessoas que colocam piercing, mas, segundo alguns profissionais, sobretudo os jovens não procuram os dermatologistas antes da perfuração. Alguns deles nem se preocupam em se certificar sobre as qualificações profissionais do body piercer e é aí que mora o risco da infecção. Foi o que ocorreu com Endelis Henrique do Amparo Silveira, 17 anos, que furou a orelha com uma mulher que se disse profissional, mas não era. A perfuração feita atingiu uma veia e o rapaz teve que escolher entre a retirada de uma parte da orelha ou o risco de a infecção passar para seu sangue e atingir outros órgãos.

Para o dermatologista Jaime Machado Morais, a busca por um profissional certificado para a colocação do piercing não exclui a necessidade de uma consulta a um profissional especializado conforme a região onde será feita a inserção. “Caso opte pela inserção, deve-se consultar um profissional especializado conforme a região. Se for furar a língua, consultar um dentista. Os genitais, ginecologista. As pálpebras, oftalmologista. E assim por diante. Assim, a pessoa certifica-se de não ter nenhum empecilho para a sua perfuração”, alerta o especialista.

Embora o dermatologista argumente desta forma, os body piercers excluem a importância dele. O body piercer Arthur Gomes Rodrigues, 26 anos, diz que “não é necessário ir antes a um especialista, porque quando vejo algo que pode ser uma barreira para não ter o piercing, eu pergunto o cliente se ele vai ao dermatologista. Estas barreiras são, por exemplo: casquinhas ou manchas na pele. Existem também cirurgias de nariz, orelhas e próteses mamárias que seriam também uma barreira para não ter a perfuração sem a permissão do médico.”

Acredita ainda que as escolhas do piercing e de seu material é que influenciam a probabilidade de uma inflamação, e como os body piercers sabem informar o material ideal, não é necessário um médico para aconselhar. “Antigamente, era usado cateter. Hoje em dia, já tem uma questão mais consciente, direcionada para a galera que faz piercing, para adotar a agulha americana em vez do cateter. É orientado ao cliente sempre escolher titânio ou nióbio, em vez de aço cirúrgico, pela questão da composição do material, pois existe uma transferência quase nula de metal para o corpo no caso do titânio e do Nióbio, que não tem no aço cirúrgico”, constata Michel Franckevicius, profissionalmente no mercado há pouco mais de um ano.

Catherina Dias Rodrigues, 19 anos, possui três piercings, sendo um no nariz e dois na orelha. Ela não consultou um médico antes de suas perfurações, porém as realizou com um profissional e obteve sucesso. Além disso, diz ter tido uma boa higiene, limpeza periódica no local, mas desobedeceu o profissional em um ponto: tentar trocar a peça antes do tempo recomendado. “O piercing do nariz, com uma semana que havia furado, tive a ‘genial’ ideia de trocar a peça. Eu machuquei o furo, mas não saiu do controle, pois usei pomadas e não deixei fechar o furo,” assume.

Por mais que antes de suas perfurações, a garota não tenha ido a um dermatologista, hoje sua opinião é de que quem deseja furar precisa de tal consulta. “É necessário, mas creio que ninguém pense nisto antes das possíveis inflamações provenientes dos piercings,” afirma.

Tanto os usuários quanto o dermatologista disseram acreditar na necessidade de um profissional especializado; “Lembrando que nunca pode ser realizado por uma pessoa sem treinamento, que não conheça anatomia e fisiologia; lembrando que as complicações podem ocorrer com o profissional especializado também”, ressalta Morais.

Mas o que torna um body piercer profissional? Michel Franckevicius informa que “nos workshops específicos para isso, que no caso é o workshop básico (primeiro contato que você tem com essa área), o mínimo que se espera é uma orientação acerca da biologia que acompanha nossa epiderme, então tem toda uma técnica para ser feita sem causar dano ao tecido que envolve a região. Dependendo do local, tem toda uma instrução por trás pra que não haja nenhum tipo de problema… Então o workshop tem essa parte mais biológica mesmo.”

Por isso, correm um risco enorme aquelas pessoas que tentam realizar quaisquer perfurações sozinhas, sem nenhuma assepsia. “A pessoa que queira fazer sozinha não sabe qual o melhor material, não sabe as marcações para realizar a perfuração e há também as correntes sanguíneas. Realizar um ‘furo’ sozinho ou por meio de um amigo que ‘diz que sabe fazer’ pode gerar complicações”, alega Rodrigues.

Silveira reforça esta alegação ao dizer que “não dá certo. Tem que ter experiência para furar mesmo.”

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