Entre dois caminhos

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Em apenas dois dias, guerra e paz. Como se fosse uma vitrine, dois mundos lado a lado por escolher, dois caminhos a seguir. Cena 1: Brasília, terça-feira, fim de tarde, Bloco A da Esplanada dos Ministérios. Pela janela, coração apertado, eu os observo chegar. São jovens, homens e mulheres. Suas mãos estão crispadas, os rostos cobertos. Busco o olhar de […]

Adriana

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Quando ela chegou, eu nem esperava. Fazia um tempo novo e gratificante. Eu não me sentava mais à mesa ao cair da tarde para descansar a testa sobre minhas mãos em concha. Solidão andava me desconhecendo. As minhas rimas tinham ficado pelo caminho, os versos esticados no chão por preguiça e cansaço de repetições. É que eu estava onde minha […]

Até que o sonho acabe

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Poderia ser uma cadeira de balanço à beira de uma janela antiga, coberta por uma manta e ladeada por uma mesinha. Sobre ela um vaso com folhas verdes e aveludas e uma flor vermelha de igual textura. A paisagem que se oferece pela vidraça faz parte de uma tarde de pouco sol, brisa suave e muitos passarinhos. Um par de […]

Afonsamentos

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O poeta olha o mundo e não encontra o que procura. Ao contrário, vê o que deseja perder e não achar mais. A hostilidade roça as pernas de Afonso Borges, com cheiro desagradável de cachorro depois da chuva. Ele a fotografa e publica como crônica de segunda-feira. Assim: “Hostilidade não é, necessariamente, agressão. É um meio caminho para a porrada. […]

Um menino no telhado

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O menino corre pelos telhados da sua vila. Acha que olhando tudo lá de cima suas chances de entender o mundo aumentam. Poucos metros abaixo de seus pés, um rio de lama avança sobre pessoas, carros e construções. Acostumado a ouvir que a barragem de rejeito da mineração um dia arrebentaria, ele só acreditou no alerta desesperado quando a água […]

Maria do Rosário, a corda e a luz

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Maria do Rosário reuniu os filhos e pediu que rezassem o terço para Santo Antônio durante 13 dias, sempre às 9 da noite, para facilitar sua passagem e curar cada um de seus demônios. Ela precisava prepará-los para o fim daquele corpo a que eles atribuíam a presença da mãe, a tez negra, de gorduras acumuladas como travesseiros para as […]

O cão calculista

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Desde menino, ouço histórias de Sarampo, cachorro que pertencia a um parente distante de Araxá, Adolpho José de Aguiar. Conhecia as quatro operações matemáticas e só faltava falar. “Sarampo, quanto é 4+5+2?”, perguntava Adolphinho e o cachorro latia onze vezes. A gente costumava contar essas histórias e, diante dos primeiros risos de descrença, logo emendava para dar sustentação à narrativa: […]

Tempestade

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As mãos deixaram o jornal cair sobre o colo e descortinaram um céu de cores dramáticas: um resto de azul, oprimido pelo cinza de pesadas nuvens, já não resistia e entregava-se à noite precoce. Uma parede de água e sombra vinha de lá. Grande e sólida em alicerces de pedra, a casa balançou seus encaixes, dobradiças, coxilhas e calhas. Era […]

O tempo

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Alfredo tinha 8 anos de idade quando seu pai cruzou a soleira da porta de casa para nunca mais voltar. Passou a vê-lo com frequência no elevador do prédio, mas agora como um estranho. Mora dois andares acima, no apartamento de uma vizinha, de quem sua mãe gostava como amiga. Mas não gosta mais. A foto dela e do “falecido” […]