A sabedoria do urubu

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É a regra: a vida chega e não bate campainha, abre a porta e, se estiver trancada, arromba. Se os fatos são desagradáveis e produzem desconforto, não adianta resistir. Ao contrário, quanto mais o sujeito diz “não aceito” pior fica. O pessoal da neurolinguística ensina que a mente não conhece a palavra “não”. Se alguém diz “não pense em um […]

Gervásio, o professor

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O baiano Gervásio Baptista, mal passados dos dez anos de idade, subiu no banquinho para ganhar altura e encontrar o enquadramento. Trabalhava no estúdio Foto Jonas para aprender o ofício de fotógrafo. Esticou o corpo, depois curvou-se sobre o defunto para achar o melhor ângulo. Faltava só mais um pouquinho, só mais um pouquinho…, quase, quase… e o tamborete virou. […]

A casa, a luz e a penumbra

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Casa escura, os olhos se acostumam primeiro à falta de luz para reconhecer depois os contornos dos móveis e objetos. A respiração se arrasta lentamente, carrega nos ombros a obesa angústia. Pulmões sufocados de penumbra. Um estalido rompe o silêncio. À espessa densidade de viver, soma-se de repente o risco. Somados, solidão e medo, ameaçam as estruturas precárias da mente. […]

Tiago e o mar

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Fim de tarde, alguns barcos de pesca ancorados logo depois da arrebentação. O menino brincava na areia. De repente, interrompeu a correria, enlaçou as mãos às costas e olhou para o horizonte. O tempo parou. A água lhe tocava os pés, mas ele não prestava mais atenção a ela. Sem saber que em breve partiria, observou a paisagem sem perceber […]

Zezinha

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Zezinha é apenas papel de presente para o amor que este dia das mães inspira. Sua história o representa e revela. Assim, o texto poderia se chamar Ilka, Adriana, Stefânia, Cris, Tereza, Paula, Mônica, Lúcia, Márcia, Renata, Berenice, Carolina, Ana Cristina, Fernanda, Karina, Kátia…   Minha mãe não sabe mais beijar. Ela morde quando lhe pedem um beijo, embora desconheça, […]

Tempo, tempo, tempo

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  Era de tarde, véspera de feriado, e eu acabava de pegar um taxi na Avenida Atlântica, em Copacabana, em direção ao Aeroporto Santos Dumont. Viagem de volta a Belo Horizonte. O motorista estava num estado de espírito peculiar: cansado, faminto e alegre. Aquela satisfação que surge no meio da fadiga, quando a mente se liberta das referências físicas e […]

Fábula do cavaleiro universal

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O homem seguia sozinho, montado em seu alazão, a passo lento. O chapéu de aba levantada até o topo da testa para diminuir o calor, a espingarda apoiada na perna e encostada ao ombro, cigarro de palha apagado no canto da boca. Remoía. Estrada de terra, o cerrado às suas margens sujo de poeira por obra dos torvelinhos de ventos […]