Uma noite inspiradora no Trindade

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Durante o Madrid Fusión, circulou conversa sobre o fato de a maioria dos chefs mineiros terem escolhido para mostrar nesse famoso congresso espanhol pratos que nunca servem em seus restaurantes. Melhor falando, receitas criativas e sofisticadas, mas que contrastam com pratos ditos “mais comerciais”. Portanto, teria sido representada em Madri uma vanguarda que, na prática, não existe. Os críticos têm alguma razão quando apontam isso, mas outra leitura pode ser feita dessa situação: alguns de nossos melhores chefs fizeram demonstração competente do potencial que tem a gastronomia mineira e, a partir daí, podemos vislumbrar uma cena mais ousada para BH.

É claro que grandes mudanças não acontecem da noite para o dia, mas que foi ótimo ver o salão do Trindade cheio ontem, isso foi. Todo mundo comendo o menu do festival Uai Fusión, com algumas das receitas que brilharam em Madri. Comendo, harmonizando com vinhos, comentando, tirando fotos e falando bem (pelas costas dos chefs, o que é importante).

Começou com uma receita ótima que não foi mostrada no Madrid Fusión, mas que faria bonito lá certamente:

Esse creme de baroa com cogumelos, castanhas e brotos está virando um clássico do Felipe Rameh (um dos chefs à frente do Trindade) e, mais recentemente, ganhou o incremento de um biscoito de especiarias. Delicioso. Depois arrumo a receita para a gente.

Depois, participação especial de Flávio Trombino, do Xapuri, com uma boa panelinha gratinada de batata doce com linguiça:

Passamos, então, para outro prato do Felipe, o frango com quiabo 2.0:

Meio da asa com quiabo no vapor, caviar de quiabo e caldo da ave. Uma sacada interessante, principalmente pelo corte do frango, que ficou muito saboroso e fácil de comer. O ossinho vira, praticamente, um palito num bombom de pura carne. O aperitivo servido com esse frango no Trindade (com molho de mostarda, porém) é imperdível.

Falar em lombinho de porco com doce de leite pode soar bizarro, mas o outro chef da casa, Fred Trindade, conseguiu algo realmente interessante e, o que é tão importante quanto, delicioso:

Cozida em baixa temperatura, a carne estava muito macia e ligou-se muito bem ao molho, que é uma redução de caldo de joelho de porco com vinhos do porto e madeira e um toque de doce de leite. Como coadjuvante, palmito pupunha em dois momentos: cru e tostado. Só provando!

Outro ponto alto: o jogo de cores e texturas da sobremesa de Pablo Oazen (Garagem Gastronomia, Juiz de Fora), à base de manga, mel e coalhada. Ervas frescas deram toque especial. O serviço começa com uma jarra derramando a coalhada no prato, vejam que bacana:

Para a sobremesa final, outra boa ideia: casar doces mineiros com queijo mineiros no mesmo prato. Como ninguém tinha pensado nisso antes? Ou alguém já fez isso?

Que venham mais chefs criativos e fregueses apaixonados!

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