Morre fundadora da Doces de Portugal

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Andei fora de combate semana passada (uma faringite terrível), por isso chego atrasado aqui para dar a triste notícia da morte de Maria Fernanda Affonso, fundadora da loja Doces de Portugal, referência maior da doçaria lusitana em Belo Horizonte, na última quarta-feira. As vitrines com pastel de nata, travesseiro de Sintra, toucinho do céu, pastel de Santa Clara e outras delícias do receituário conventual há mais de 30 anos ajudam o mineiro a conhecer melhor uma parte do rico patrimônio gastronômico português.

Paula Huven/Divulgação

Nascida em Angola, Maria Fernanda tinha 69 anos e morreu em decorrência de complicações geradas pela leucemia, que havia descoberto cinco anos antes. Formada em engenharia química, chegou ao Brasil com a família em 1975, turbulento ano em que Angola tornou-se independente de Portugal. Seus avós foram para terras africanas em razão do conflito separatista e sua família, na verdade, tem origem nas cidades de Tomar e Leiria, a norte de Lisboa.

“Vamos dar continuidade ao que ela iniciou. Um trabalho muito bacana, que não pode acabar. Em homenagem a ela e a todas as pessoas que estão junto conosco esse tempo todo”, garante Nuno Miguel Affonso, filho de Maria Fernanda. Engenheiro mecânico, ele sempre participou da administração das lojas e, no último ano, passou a participar mais ativamente do negócio. “Pouco a pouco, fui ajudando, mas ela continuou participando de tudo. Ela estava bem”, lembra ele.

“O Brasil nos deu uma recepção fantástica, de braços abertos. A cultura é similar e a adaptação foi muito fácil. Minha mãe tinha o dom, uma mão maravilhosa. Das coisas mais simples às mais complexas, passando por salgados e doces. O pastel de natas, por exemplo, deu certo logo na primeira vez. Logo ele, que é dificílimo. Cozinha tem a ver com sensibilidade e ela tinha esse dom”, conta Nuno. Vale lembrar que, além dos doces típicos, as lojas também vendem salgados, incluindo uma ótima empada – passando por lá, prove-a.

Em luto, as lojas ficaram fechadas quinta e sexta. A família estudava a possibilidade de abrir uma quinta unidade, plano que, agora, está em suspenso. Atualmente, há duas unidades na Savassi, uma no Mangabeiras e outra no Sion.

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