Comendo em Madri, parte 2

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Na busca por um lugar para almoçar em Madri, em janeiro deste ano, acabei na página do Guia Michelin na internet. Para quem não sabe, o famoso guia não lista apenas os restaurantes estreladões, mas também os que chamam de best value, ou seja, os que têm boa comida com preços razoáveis. Baita mão na roda para quem precisa de uma recomendação confiável! O endereço é esse aqui. Aí você digita o nome da cidade e, logo abaixo, seleciona a opção “Best value restaurants” (que tem o bonequinho vermelho lambendo os beiços). Para mim, apareceu no topo da lista o Alboroque Tradición e para lá eu fui.

O restaurante não tem placa na porta e é fácil passar batido por ele. Fica na Calle Atocha, 34, no centro de Madrid, não muito distante da Puerta del Sol. Valeu a pena! Fui para o almoço e optei pelo menu do dia, que me saiu por não mais que 30 euros, incluindo entrada, prato principal e sobremesa. Receitas muito saborosas, bem executadas e fartas. E nada de “porções reduzidas”!

Depois de um pequenino consommé para abrir os trabalhos, me foram trazidas lulas recheadas guarnecidas com a própria tinta e feijões brancos:

No ponto certo de cocção, os moluscos foram recheados com os próprios tentáculos, alho-poró e presunto cru. Tudo temperado com equilíbrio. O molho negro estava muito bom e os feijões, um tanto cozidos além da conta, já desmanchando. Mas nada que tenha comprometido o prato.

Depois, jarret de porco ibérico cozido em baixa temperatura:

O molho era de mel com mostarda em grão, enriquecido com caldo da carne, o que o tornou excelente. A carne, rosada e tenra, separava-se em gomos só de encostar no garfo. O conjunto estava todo tão harmônico que fez o purê de batata (com azeite) algo quase dispensável. Mas ainda bem que ele veio no prato!

Não resisti e, antes de pratir para a sobremesa, caí na tentação de pedir por fora do menu o arroz meloso de lebre (16 euros):

Um típico prato “forte”, com a presença marcante da carne de caça, cogumelos variados e alcachofra, tudo ligado com um pouquinho de queijo idiazabal, que é feito com leite cru de ovelha no norte do país. Não chega a ficar cremoso como um risoto e o arroz usado é o bomba, o mesma da paella. É um arroz que fica entre o molhadinho e o cremoso – daí a palavra meloso, como os espanhóis se referem a textura melada. Estava delicioso.

Enfim, a sobremesa:

Bolinho fofo de queijo com compota de frutas vermelhas e sorvete de baunilha (de verdade). Uma pedida sem riscos (para o bem e para o mal) que encerrou bem essa excelente refeição numa tarde vadia em Madri. Restaurante recomendado. Aos que quiserem xeretar o cardápio, que tem preços, o link está aqui.

Petit four, um café, a conta e rua!

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