Skip to main content
 -
Evaristo Magalhães é Doutor em Psicanálise pela UFMG, Psicanalista Clínico e possui dois livros publicados: Crônicas para amar e A vida dói?

Tenho muita preguiça dos intelectuais …

Não gosto da arte que me faz pensar: odeio ser enganado. Gosto da arte que me faz ver. Pensamos para não ver. Falamos para não ver.
Gosto da arte que me prepara para ver o que, em algum momento, terei que ver, na realidade e em carne viva, querendo ou não.
Não gosto da arte água com açúcar. Não gosto dos livros de autoajuda. Dos filmes com finais felizes. Não existe final feliz.
Gosto é do silêncio dos psicanalistas. Quanto mais silêncio, mais verdade. Quanto mais blá-blá-blá, mais baboseira. O silêncio do divã me faz ver. O silêncio do diva, me faz ver para eu ver o que vou fazer com isso.
A psicanálise é a coisa. A arte é a coisa. Fugimos para não ver. Hostilizamos para não ver.
Nosso tempo nunca viu tanto – por isso tanta fuga pela arrogância e pela intolerância.
Quem fala demais é porque está desesperado. Não queremos ver o que de fato somos: narciso acha feio o que não é espelho. Não é questão de escolha. Teremos que ver quem não somos. É por isso – talvez – que a arte esquelética seja tão abominável. Esta é a arte boa. Ela me faz antevê meu pânico. Ela me faz ver sem sofrer. Ela cria em mim alguma intimidade com a minha dor – e sem me tornar um masoquista.
Inteligência não é filosofia, ciência ou religião. Isso é enganação. Inteligência é trazer à tona a minha ruína recalcada.
Seríamos bem menos problemáticos se não fugíssemos tanto do que nos espera – inevitavelmente – em algum lugar. Isto pode ser agora, daqui a pouco, amanhã, depois de amanhã …

Evaristo Magalhães – Magalhães

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *