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Duda Lafetá é jornalista. Vive na Inglaterra há quinze anos e fica brava quando falam que ela trocou o Brasil pela terra da Rainha. Ela sempre diz que não substituiu um país pelo outro. Acrescentou mais um. Neste blog, ela conta de tudo um pouco sobre o que acontece na Ilha, que muita gente prefere chamar de Reino Unido.

Adeus ao Uber

Talvez não tão famoso quanto os ônibus de dois andares, o ‘black cab’ (o táxi preto) de Londres também tem lá seu charme. Na frente, segue o motorista, protegido por um vidro, que o separa dos passageiros. Na parte de trás, dois bancos, um de frente para o outro. Lá dentro, espaço para cadeira de roda ou até seis passageiros. Os modelos atuais têm motores, que são menos poluentes.

Os primeiros táxis começaram a circular na capital inglesa ainda no século 17. Séculos mais tarde, quando se tornaram motorizados, ficaram mais acessíveis e populares. Existe um certo romance com relação aos tradicionais ‘black cabs’. Com ou sem GPS, seus motoristas têm que saber, de cor e salteado, 32 rotas básicas, decorar a localização de 25 mil ruas de Londres e 20 mil pontos de interesse (monumentos, por exemplo) num raio de seis milhas do centro da capital inglesa. Para conseguir o selo verde, eles estudam entre dois e quatro anos. Eles ainda passam por exames médicos e têm que apresentar um nada consta da polícia, uma espécie de atestado de bons antecedentes. O teste é considerado um dos mais difíceis do mundo. É preciso um baita investimento pessoal e financeiro. Por isso, quem é aprovado, se sente orgulhoso.

Quando vim morar aqui na Ilha, existia a história de não pegar os ‘minicabs’, que são táxis em carros comuns, com motoristas menos treinados. Falava-se que eles não eram seguros. Isso, no começo do século vinte um. Adiante a folhinha para 2017 e o cenário é bem diferente.

É que entrou na brincadeira o Uber, o aplicativo de táxis, que opera em seiscentas cidades pelo mundo afora. Como fez em outros lugares, o Uber chegou, sem pedir licença, e provocou muita indignação entre os motoristas de táxi tradicionais. Concorrência desleal, eles chiaram bastante. Em alguns bairros, próximos aos aeroportos por exemplo, moradores começaram a reclamar que os motoristas de Uber ficavam estacionados à espera de chamadas. Enquanto esperavam, ‘roubavam’ as poucas vagas destinadas aos carros dos moradores locais e deixavam sempre muito lixo, por onde passavam.

Com ou sem protestos, o Uber pegou por aqui. Atualmente conta com 40 mil motoristas e três milhões e meio de passageiros. Quer dizer, contava. Ou melhor, está com os dias contados.

Saiu hoje uma decisão do TfL (Transport for London), o órgão regulador dos transportes públicos na capital, caçando a licença de funcionamento do Uber. O motivo? Eles não são seguros nem no trânsito e nem para os passageiros, já que aumentou o número de crimes e de acidentes.

A decisão, sem dúvida, é política. O tópico está fervilhando nas redes sociais. Um dos comentários dizia que inseguro é o metrô de Londres, onde terroristas explodem bombas. Exagerado, mas dá o tom da indignação geral.

Sadiq Kahn, o prefeito de Londres, diz que apoia a decisão do TfL. Os motoristas de ‘black cab’ estão rindo à toa. Fred Jones, o chefão do Uber por aqui, se defende dizendo que os motoristas de Uber atendem aos mesmos requisitos de segurança dos motoristas de ‘black cab’ e ‘minicabs’.

Não há a menor dúvida de que o Uber vai recorrer da decisão. Vai ser interessante acompanhar essa disputa. Passageiros e motoristas de Uber do mundo inteiro vão ficar de olho, para ver como Londres vai sair dessa.

11 comentários em “Adeus ao Uber

  1. Tomara que a Uber vai embora do Brasil também, senhor Deus, atenda meu pedido, fora, fora Uber bando de exploradores, fora fora, população imbecil, essa nossa, fora , fora, amém.

  2. Uma empresa que não obriga certidões criminais de motorista é seguro!? Uma empresa que não obriga o motorista ter seguro para passageiros é seguro!? Uma empresa que leva nosso dinheiro embora para outro país é boa!?

  3. O Uber hoje gera uma renda a milhões de pessoas de bens que estavam desempregadas, podendo assim dar um vida digna para sua família. Deixa o povo trabalhar! Que é bem melhor que está roubando… Acredito que as pessoas tem que ter o direito de escolha…

  4. O Uber é barato sim, porém muito inseguro, vários crimes estão acontecendo diariamente e só não vê quem não quer, são recordistas em reclamações, o barato para muitos está saindo caro, sem dizer o preço dinâmico. Verdadeiros exploradores, para o passageiro sem dinâmico é bom, mas para os motoristas sem dinâmico é ter que trabalhar o dia inteiro.

  5. Uber aqui no Brasil só traz de volta
    A escravidão um país de milhares de pessoas desempregada que se apegam com qualquer coisa acreditando que vai ganhar dinheiro onde só arruma mais endividamento e mais desgraça para si próprio, Sem contar os crimes que eles cometem e estupros

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