Veja 50 fotos que contam a história do Carnaval em Belo horizonte

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Blocos de rua, escolas de samba, lança-perfume e bailes carnavalescos fazem parte da história de BH. Confira imagens incríveis do carnaval de 1899 a 2015

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Desfiles em 1981, 1963 e 2015: BH tem rica tradição carnavalesca (Fotos: APCBH e Thiago Ventura)

Belo Horizonte tem uma grande tradição no carnaval, que tem várias faces: sociedades carnavalescas, corsos, escolas de samba, bailes fechados, blocos de rua e caricatos. Para 2016, a previsão é de mais de 1,5 milhão de pessoas na avenida. Uma história de 117 anos.

O Autofocus Brasil fez pesquisa no acervo do Museu Histórico Abílio Barreto e no Arquivo Público da cidade de Belo Horizonte, além do banco do Estado de Minas em busca de imagens épicas da história do carnaval, paixão desde os primeiros anos dos moradores de Belo Horizonte. Algumas fotos desse post são inéditas na internet e outras foram digitalizadas especialmente para o site.

O primeiro e informal carnaval de Belo Horizonte aconteceu em 1898, apenas 68 dias após a inauguração da cidade. Somente alguns foliões mais animados fizeram a festa na capital, que tinha cerca de 12 mil habitantes. Mas em 1899 aconteceu a primeira festa ‘de verdade’, documentada em relatos e pelos jornais, organizada pelo Club Demônios de Luneta, a primeira organização carnavalesca de Belo Horizonte.

Cidade dormitório? Charge de 1898 critica carnaval de BH
Cidade dormitório? Charge de 1898 critica carnaval de BH

As primeiras décadas foram marcadas por uma brincadeira típica das elites: corso. Carros conversíveis desfilavam durante os quatro dias do feriado. Quem estava embarcado travava disputas com confetes, serpentinas e lança-perfume com os foliões a pé. A foto mais antiga do carnaval em Belo Horizonte, tirada em 1914, é justamente de um desses veículos. A moda durou até o começo dos anos 40. O corso tinha um caráter muito disciplinador, com desfiles planejados e autorizados pela polícia, com roteiros divulgados nos jornais. Essa característica tinha a ver com a noção de ‘cidade planejada’ contra a bagunça do carnaval, algo que agradava elite e autoridades”, conta o historiador Hilário Pereira Filho, do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e doutorando em História pela Unirio. Em sua dissertação de mestrado, defendida na UFMG, o historiador estudou o carnaval de BH entre 1899 e 1936.

Neste período, surgiram outros dois movimentos carnavalescos da cidade. Começaram os grande bailes no Minas Tênis Clube, Iate e Automóvel Clube, ao passo que as primeiras escolas de samba e blocos caricatos foram fundados, ocupando as ruas da cidade de uma forma mais democrática.

Quando surgiram os blocos?

1914: Corso decorado, foto mais antiga sobre a folia no acervo do Museu Abílio Barreto
1914: Corso decorado, foto mais antiga sobre a folia no acervo do Museu Abílio Barreto

Segundo o historiador Hilário Pereira Filho, blocos de rua existem desde o começo da capital. Inclusive, com o mesmo aspecto dos grupos atuais, de luta e contestação das autoridades. “É interessante pois é um movimento cíclico. Os blocos promoviam uma festa que não agradava as autoridades, que definiam a cidade planejada. Para pesquisar tais atividades é até curioso: enquanto busco em relatos oficiais e nos jornais da época as festas das sociedades carnavalescas, as atividades nas periferias só aparecem em ocorrências policiais”, narra Hilário.

Uma semelhança entre o carnaval atual para o do começo da cidade é a busca por uma mídia independente para divulgar as atividades. Se hoje os blocos utilizam as redes sociais e aplicativos, as sociedades carnavalescas do passado publicavam jornais próprios. “Os jornais eram instrumentos de comunicação das sociedades para divulgar as músicas dos desfiles, itinerário e programação das festas. O último foi publicado em 1936”, conta Hilário

 

VEJA FOTOS QUE CONTAM ESSA HISTÓRIA:

 

1915: Desfile do Tenentes do Diabo, publicado no jornal da sociedade (Fonte: Hilário Pereira Filho)
1915: Desfile do Tenentes do Diabo, publicado no jornal da sociedade (Fonte: Hilário Pereira Filho)

 

 

 

1920: Corso em Belo Horizonte (Acervo MHAB)
1920: Corso em Belo Horizonte (Acervo MHAB)

 

1924: Carnaval a Bebê era moda nos anos 1920: carrinhos enfeitados desfilavam na Praça da Liberdade
1924: Carnaval a Bebê era moda nos anos 1920: carrinhos enfeitados desfilavam na Praça da Liberdade. “Nesta época, apenas pessoas da sociedade tinham autorização para fazer esse tipo de evento” frisa Hilário.

 

1930: Coral preparado (e fantasiado) para o carnaval (Arquivo EM)
1930: Coral preparado (e fantasiado) para o carnaval (Arquivo EM)

 

 

1935: Bloco das pequenas, fantasiadas de bombeiro (Acervo MHAB)
1935: Bloco das pequenas, fantasiadas de bombeiro (Acervo MHAB)
1935: Bloco das Camponesas Búlgaras. Detalhe para os lança-perfumes nas mãos das foliãs. (Acervo MHAB)
1935: Bloco das Camponesas Búlgaras. Detalhe para os lança-perfumes nas mãos das foliãs. (Acervo MHAB)

 

1950: Carnaval no Iate Tênis Clube. De marinheiro, Clóvis Salgado, que foi eleito vice-governador naquele ano. (Acervo MHAB)
1950: Carnaval no Iate Tênis Clube. De marinheiro, Clóvis Salgado, que foi eleito vice-governador naquele ano. (Acervo MHAB)
1957: Batalha Real, festa carnavalesca promovida pelo Estado de Minas para disputar com o jornal Folha de Minas
1957: Batalha Real, festa carnavalesca promovida pelo Estado de Minas para disputar com o jornal Folha de Minas
1958: de caráter bem heterogêneo e popular, desfile do Leões pela cidade (APCBH/Belotur)
1958: de caráter bem heterogêneo e popular, desfile do Leões pela cidade (APCBH/Belotur)
1960: Bastante polêmico, registro do bloco 'Domésticas do Lourdes' (Arquivo EM)
1960: Bastante polêmico, registro do bloco ‘Domésticas do Lourdes’ (Arquivo EM)
1963: Concurso de fantasias infantis no Teatro Francisco Nunes. (APCBH/Belotur)
1963: Concurso de fantasias infantis no Teatro Francisco Nunes. (APCBH/Belotur)
Desfile na Afonso Pena, em 1963 (APCBH/Belotur)
Desfile na Afonso Pena, em 1963 (APCBH/Belotur)
1963: Aflitos do Anchieta atravessam a avenida (Arquivo EM)
1963: Aflitos do Anchieta atravessam a avenida (Arquivo EM)
1972: Carnaval com viés ecológico desde os anos 70 (APCBH/Belotur)
1972: Carnaval com viés ecológico desde os anos 70 (APCBH/Belotur)
1972: Belo Simca Chambord fantasiado atravessa a Praça da Liberdade (APCBH/Belotur)
1972: Belo Simca Chambord fantasiado atravessa a Praça da Liberdade (APCBH/Belotur)
1973: Concurso de fantasias infantis (APCBH/Belotur)
1973: Concurso de fantasias infantis (APCBH/Belotur)
1973: Concurso de fantasias infantis (APCBH/Belotur)
1973: ‘Sereísmo’ já era tendência no carnaval daquela época! APCBH/Belotur)
1974: Fenômeno dos trios elétricos também agitou o carnaval de BH (APCBH/Belotur)
1974: Fenômeno dos trios elétricos também agitou o carnaval de BH (APCBH/Belotur)
1975: Carnaval infantil no antigo campo do Atlético, onde hoje está o Diamond Mall (APCBH/Belotur)
1975: Carnaval infantil no antigo campo do Atlético, onde hoje está o Diamond Mall (APCBH/Belotur)
1975: Criatividade para a melhor fantasia! (APCBH/Belotur)
1975: Criatividade para a melhor fantasia! (APCBH/Belotur)
1975: Carnaval Infantil em Lourdes (APCBH/Belotur)
1975: Carnaval Infantil em Lourdes (APCBH/Belotur)
1975: Desfila na Avenida Afonso Pena (APCBH/Belotur)
1975: Desfila na Avenida Afonso Pena (APCBH/Belotur)
1975: Olha a simpatia da Rainha mirim do carnaval de BH (APCBH/Belotur)
1975: Olha a simpatia da Rainha mirim do carnaval de BH (APCBH/Belotur)
Desfile do bloco caricato em 1976 (Arquivo EM)
Desfile do bloco caricato em 1976 (Arquivo EM)
1977: Desfile de Fantasias no Minas Tênis (Centro de Memória MTC)
1977: Desfile de Fantasias no Minas Tênis (Centro de Memória MTC)
1979: Olha a família real momesca (APCBH/Belotur)
1979: Olha a família real momesca (APCBH/Belotur)
1980: Ala das baianas na Afonso Pena (APCBH/Belotur)
1980: Ala das baianas na Afonso Pena (APCBH/Belotur)
1980: Carnaval no ginásio do Minas Tênis Clube (Centro de Memória MTC)
1980: Carnaval no ginásio do Minas Tênis Clube (Centro de Memória MTC)
1981: Cá entre nós, esse é um dos melhores Rei Momo que a cidade já teve! (APCBH/Belotur)
1981: Cá entre nós, esse é um dos melhores Rei Momo que a cidade já teve! (APCBH/Belotur)
1981: família real momesca (APCBH/Belotur)
1981: família real momesca (APCBH/Belotur)
1981 - (APCBH/Belotur)
1981 – (APCBH/Belotur)
Carnaval 1981 na Savassi. APCBH/Belotur
Carnaval 1981 na Savassi. APCBH/Belotur
1981, Savassi. (APCBH/Belotur)
1981, Savassi. (APCBH/Belotur)
1984: Desfile das escolas de samba na Afonso Pena. Foto: Acervo APCBH/Belotur
1984: Desfile das escolas de samba na Afonso Pena. Foto: Acervo APCBH/Belotur
1987: Desfile de corso voltou na década de 80. Foto: Paulo Figueiras/EM
1987: Desfile de corso voltou na década de 80. Foto: Paulo Figueiras/EM
1991: Baile infantil no Minas Tênis Clube. Foto: Museu Abílio Barreto
1991: Baile infantil no Minas Tênis Clube. Foto: Museu Abílio Barreto
1992 - Foto: Adão de Souza/ APCBH/Belotur
1992 – Foto: Adão de Souza/ APCBH/Belotur
1995: Desfile da Bada Mole na Rua da Bahia, que naquele ano completou 20 anos. Foto: Inês Gomes/APCBH/Belotur
1995: Desfile da Bada Mole na Rua da Bahia, que naquele ano completou 20 anos. Foto: Inês Gomes/APCBH/Belotur
2004: Desfile das Escolas de Samba é transferido para a Via 240, na região Norte. Foto de Juarez Rodrigues/EM
2004: Desfile das Escolas de Samba é transferido para a Via 240, na região Norte. Foto de Juarez Rodrigues/EM
2006: Mais uma tentativa de voltar com o corso em BH. Foto: Beto Novaes/EM
2006: Mais uma tentativa de voltar com o corso em BH. Foto: Beto Novaes/EM
2011: Bloco da Praia da Estação. Blocos de rua ressurgiram a partir do ano anterior em contestação á proibição do prefeito em eventos nas ruas, sem autorização. Foto de Beto Novaes/EM
2011: Bloco da Praia da Estação. Blocos de rua ressurgiram a partir do ano anterior em contestação á proibição do prefeito em eventos nas ruas, sem autorização. Foto de Beto Novaes/EM
2014: Desfile das Escolas de Samba volta para a Afonso Pena. Na foto de Gladyston Rodrigues/EM, a da Escola de Samba Estrela do Vale
2014: Desfile das Escolas de Samba volta para a Afonso Pena. Na foto de Gladyston Rodrigues/EM, a da Escola de Samba Estrela do Vale
2015: Bloco Baianas Ozadas. Carnaval atingiu recorde histórico de público: 1 milhão de pessoas. Foto Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
2015: Bloco Baianas Ozadas. Carnaval atingiu recorde histórico de público: 1 milhão de pessoas. Foto Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press


Agradecimentos:

Museu Histórico Abílio Barreto, Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte, Minas Tênis Clube e ao historiador Hilário Pereira Filho.

 

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6 comentários para “Veja 50 fotos que contam a história do Carnaval em Belo horizonte

    1. Olá Cláudio!
      Agradecemos a participação.
      Selecionamos algumas fotos aleatórias, pois não daria para englobar todos os blocos e escolas num único post.Caso tenha alguma imagem da escola, teremos o maior prazer de incluir nesta reportagem!
      Um abraço!

  1. Gostaria de ver fotos do desfile do antigo Gremio Recreativo Escola de Samba Xuxu Beleza do Bairro boa Vista em Belo Horizonte – desfile na Afonso Pena senão me engano em 1984. Vocês teriam algum acervo?

    1. Olá Ronaldo,
      obrigado pela participação!
      Tem algumas fotos de 1984, mas não estão corretamente identificadas. Vamos conferir na relação de imagens que conseguimos no Arquivo Público.
      Um abraço

  2. Não se esqueça do Bar do Bodão onde se reuniam as Domésticas de Lourdes antes do desfile(Rua São Paulo esquina de Av. Bias Fortes)O bar existe até hoje(2016) mas com outro nome e dono.O Bodão era o maior nariz de BH(nariz nasal mesmo rsrs)

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